Ucrânia pressiona por provas de que míssil derrubou avião no Irã

Presidente do país ligou para líderes do Reino Unido, do Canadá, da Suécia e do próprio Irã pedindo que forneçam "informações relevantes"

Mazyar Asadi/Pacific Press/LightRocket via Getty ImagesMazyar Asadi/Pacific Press/LightRocket via Getty Images

atualizado 10/01/2020 7:22

O presidente da Ucrânia, Volodimir Zelenski, telefonou nessa quinta-feira (09/01/2020) para o premiê do Canadá, Justin Trudeau, para o primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson, e para o presidente do Irã, Hassan Rouhani, solicitando que “qualquer informação relevante” que tenham sobre a queda do voo 752 da Ukraine International Airlines em Teerã seja repassada às autoridades do país. Contatos também foram feitos por diplomatas ucranianos com a Casa Branca, para que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, também coopere com a investigação.

As ligações foram feitas logo após Trump e Trudeau darem declarações nessa quinta de que “indícios seguros” obtidos pelos respectivos serviços de inteligência revelariam que a queda da aeronave, no início da manhã dessa quarta-feira (08/01/2020) no horário de Teerã, foi provocada pelo disparo – talvez por erro – de um míssil terra-ar do próprio Irã.

O escritório do presidente ucraniano informou no Twitter (leia abaixo) e no Facebook que Zelenski teria ligado para os colegas.

President @ZelenskyyUa had calls with leaders of different countries, including PMs of UK, Canada, Sweden and President of Iran. Ukraine is interested in truth. We ask all our international partners to assist the investigation and provide any relevant evidence that they may have

Tristes semelhanças
A tragédia com o voo 752 da UIA faz lembrar com intensa nitidez outro incidente devastador com um voo ligado à Ucrânia. Em 17 de julho de 2014, no auge da invasão russa à Ucrânia, que terminou com a anexação da Crimeia, outro avião, da Malaysia Airlines, caiu na região de Donetsk – a 40 km da fronteira com a Rússia – carregado de civis. Morreram todos os 283 passageiros e 15 tripulantes. O voo saíra de Amsterdã, na Holanda, e seguiria até Kuala Lumpur.

Na época, o sistema de inteligência dos EUA também alegou ter informações concretas de que a aeronave fora abatida por um míssil terra-ar, no caso, disparado por separatistas russos e fornecido pelo governo da Rússia.

Os russos negaram – negam até hoje – que tenham sido responsáveis pela tragédia. Então, quem tomou posse das caixas-pretas do avião que caiu (no caso de 2014, a Rússia; no de agora, o Irã) afirmou que não as forneceria para análise de mais ninguém. Em 2014 ou 2020, a declaração só aumentou a desconfiança de que se desejava com isso confundir as investigações e impedir que se descobrisse algo embaraçante para os respectivos governos, sejam eles liderados por Vladimir Putin ou pelo aiatolá Ali Khamenei.

No caso do MH17, pouco mais de dois anos depois a investigação concluiu que o avião da Malaysia Airlines havia sido abatido por um míssil terra-ar. A investigação, conduzida por autoridades holandesas, apontou três russos e um ucraniano como responsáveis. Eles ainda não foram julgados.

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