Relatório aponta que avião pegou fogo antes de cair no Irã

Segundo levantamento preliminar, a tripulação não fez pedido de ajuda por rádio. Caixas-pretas foram recuperadas

Reprodução/Twitter

atualizado 09/01/2020 11:47

Oficiais que investigam a queda de um avião Boeing 737 em Teerã, capital do Irã, divulgaram nesta quinta-feira (09/01/2020) um relatório preliminar do acidente.

De acordo com o levantamento, a aeronave foi consumida pelo fogo antes de atingir o chão. O relatório cita testemunhas que presenciaram o acidente do solo e outras que estavam em uma aeronave que sobrevoava o local.

O jato de três anos de uso, que teve sua última manutenção programada nesta segunda-feira (06/01/2020), encontrou um problema técnico, não especificado, logo após a decolagem. A aeronave desapareceu do radar a 8.000 pés (2.440 metros).

O relatório também informa que a tripulação do avião não chegou a fazer ligação por rádio para pedir ajuda. A equipe tentava fazer o avião voltar ao aeroporto Imam Khomeini, de onde saiu, quando o acidente aconteceu.

Os investigadores também divulgaram que as caixas-pretas do avião foram recuperadas, embora estejam danificadas e, por isso, algumas partes da memória tenham se perdido.

O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelenskiy, disse que investigadores ucranianos chegaram ao Irã para ajudar na investigação. Ele também afirmou que pretende ligar para o presidente iraniano, Hassan Rouhani, para conversar sobre o acidente.

“Sem dúvida, a prioridade da Ucrânia é identificar as causas do acidente”, disse Zelenskiy. “Certamente, descobriremos a verdade.”

O Boeing 737-800 da companhia aérea UIA voava de Teerã, capital do Irã, para Kiev, capital da Ucrânia, e transportava principalmente iranianos e iranianos-canadenses. A aeronave caiu pouco após decolar na madrugada dessa quarta-feira (08/01/2020) matando todas as 176 pessoas a bordo.

Muitos passageiros eram estudantes internacionais que frequentavam universidades no Canadá. Eles estavam voltando para Toronto por Kiev, depois de visitarem a família durante as férias de inverno.

O primeiro-ministro canadense Justin Trudeau disse que 138 passageiros mortos rumavam para o Canadá. O acidente se tornou um dos piores desastres de aviação ligados ao país.

A bandeira do Parlamento em Ottawa foi hasteada a meio mastro, e Trudeau prometeu chegar ao fundo do desastre. “Saiba que todos os canadenses estão sofrendo com você”, disse ele às famílias das vítimas.

Embora a causa da tragédia permaneça desconhecida, o desastre pode prejudicar ainda mais a reputação da Boeing, que foi atingida por dois acidentes mortais envolvendo um modelo diferente do jato da Boeing, o novo 737 Max, que foi aterrado por quase 10 meses.

O alvoroço levou à demissão do CEO da empresa em dezembro. A Boeing estendeu os pêsames às famílias das vítimas e disse que está pronta para ajudar.

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