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Trump: Marinha dos EUA pode escoltar petroleiros no Estreito de Ormuz

Medida anunciada por Trump inclui seguro para navios que transportam energia em meio à tensão no Golfo e alta do petróleo

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Fatemeh Bahrami/Anadolu Agency/Getty Images
Estreito de Ormuz
1 de 1 Estreito de Ormuz - Foto: Fatemeh Bahrami/Anadolu Agency/Getty Images

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta terça-feira (3/3) que, se necessário, a Marinha dos Estados Unidos poderá escoltar petroleiros pelo Estreito de Ormuz. A declaração ocorre após a Guarda Revolucionária do Irã afirmar que a passagem está fechada e que o país vai disparar contra qualquer navio que tentar passar.

Além da possível escolta naval, Trump afirmou que instruiu a Corporação Financeira de Desenvolvimento Internacional dos EUA (DFC) a oferecer seguro contra riscos políticos e garantias financeiras para o comércio marítimo que passa pelo Golfo, especialmente o transporte de energia.

Segundo ele, o objetivo é garantir que o fluxo de petróleo e gás continue mesmo diante do aumento das tensões.

“Com efeito IMEDIATO, ordenei à Corporação Financeira de Desenvolvimento dos Estados Unidos (DFC) que forneça, a um preço bastante razoável, seguro contra riscos políticos e garantias para a segurança financeira de TODO o comércio marítimo, especialmente de energia, que transita pelo Golfo do México. Isso estará disponível para todas as companhias de navegação. Se necessário, a Marinha dos Estados Unidos começará a escoltar navios-tanque pelo Estreito de Ormuz o mais breve possível. Independentemente do que aconteça, os Estados Unidos garantirão o LIVRE FLUXO DE ENERGIA para o MUNDO. O PODER ECONÔMICO e MILITAR dos Estados Unidos é o MAIOR DA TERRA — Mais ações virão”, disse o presidente norte-americano em publicação na Truth Social.

O que é a Guarda Revolucionária do Irã

  • O Corpo da Guarda da Revolução Islâmica (IRGC), conhecido como Guarda Revolucionária, é uma força paramilitar fundada após a Revolução Iraniana de 1979, por Ruhollah Khomeini.
  • A Revolução de 1979 substitui o regime monárquico dos xás, que teve como último comandante Mohammad Reza Pahlavi, e instituiu o regime teocrático xiita, com base na religião islâmica – que representa a grande maioria do país.
  • Durante o tempo de Ruhollah Khomeini como líder do país (1979 – 1989), o grupo começou a expandir seu poderio, e hoje conta com suas próprias forças terrestres, navais e aéreas – além de controlar setores econômicos e exercer influência política.
  • O grupo faz parte das Forças-Armadas do Irã e está subordinado ao aiatolá – líder supremo do país.
  • O Irã não divulga números oficiais, mas estima-se que a Guarda tenha mais de 125 mil membros, segundo levantamento do Instituto Internacional para Estudos Estratégicos.

Por que o estreito é tão importante

O Estreito de Ormuz é considerado uma rota central para o comércio global de energia. A passagem liga o Golfo a outras rotas marítimas e fica entre o Irã e Omã.

Imagem colorida, estreito de ormuz
Estreito de Ormuz

Uma parcela significativa do petróleo transportado por navios no mundo passa por ali — cerca de um quinto do total. Além disso, grandes volumes de gás natural liquefeito também seguem por essa rota, incluindo exportações de países como Catar e Arábia Saudita. Por isso, qualquer ameaça à navegação no local costuma provocar reação imediata nos mercados de energia.


Repercussão nos mercados e na economia global

  • O bloqueio ou a interrupção significativa da passagem pelo Estreito de Ormuz tem efeitos diretos nos mercados de energia;
  • A alta imediata nos preços do petróleo, motivada pela expectativa de menor oferta disponível e aumento nos prêmios de seguro marítimo para navios que transitam pela área de conflito;
  • Especulação de que o preço do barril pode ultrapassar patamares próximos a US$ 100 ou mais, dependendo da duração do impacto no fluxo de combustíveis;
  • Além disso, grandes exportadores de petróleo já começaram a considerar ajustes em suas produções para compensar potenciais descontinuidades no fornecimento;
  • A medida pode causar impacto inflacionário nas economias globais, principalmente nos países emergentes.

Custos de seguro aumentaram com as tensões na região

Com o aumento das tensões, o valor do seguro para navios que operam na área subiu nos últimos dias. Algumas seguradoras passaram a limitar a cobertura diante do risco maior ligado ao conflito que envolve forças dos Estados Unidos, Israel e o Irã.

Acionando o DFC, o governo norte-americano tenta evitar que a falta de seguro impeça o transporte marítimo. A ideia é garantir respaldo financeiro para que as empresas continuem operando, mesmo se parte das seguradoras privadas reduzir sua atuação.

O aviso sobre escolta a petroleiros também indica que os Estados Unidos estão prontos para ampliar a proteção militar ao tráfego comercial no mar. De acordo com autoridades norte-americanas, as operações militares na região foram intensificadas desde que o conflito aumentou.

O mercado de energia também tem reagido à tensão na região. O petróleo bruto subiu quase US$ 10 por barril nos últimos dias, movimento que já começou a influenciar o preço da gasolina nos Estados Unidos. Especialistas apontam que a interrupção no fluxo de navios pelo Estreito de Ormuz pode afetar rapidamente o abastecimento e os preços globais de energia.

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