Guarda Revolucionária: o poder que domina petróleo e segurança no Irã
Após a morte do líder Ali Khamenei, o futuro do Irã passa pelo Corpo da Guarda da Revolução Islâmica, conhecido como Guarda Revolucionária
atualizado
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A guerra entre os Estados Unidos, Israel e Irã, iniciada neste sábado (28/2) após ataques contra Teerã, capital iraniana, deixou centenas de mortos, incluindo o líder político e religioso Ali Khamenei. O futuro do país do Oriente Médio agora passa pela Guarda Revolucionária do Irã, um poderoso grupo paramilitar que exerce influência em diversos setores da sociedade iraniana.
O que é a Guarda Revolucionária do Irã
- O Corpo da Guarda da Revolução Islâmica (IRGC), conhecido como Guarda Revolucionária é uma força paramilitar, fundada após a Revolução Iraniana de 1979, por Ruhollah Khomeini.
- A Revolução de 79 substitui o regime monárquico dos xás, que teve como último comandante Mohammad Reza Pahlavi, e insituiu o regime teocrático xiita, com base na religião islâmica – que representa a grande maioria do país.
- Durante o tempo de Ruhollah Khomeini como líder do país (1979 – 1989), o grupo começou a expandir seu poderio, e hoje conta com suas próprias forças terrestres, navais e aéreas – além de controlar setores econômicos e exercer influência política.
- O grupo faz parte das Forças-Armadas do Irã e está subordinado ao aiatolá – líder supremo do país.
- O Irã não divulga números oficiais, mas estima-se que a Guarda tenha mais de 125 mil membros, segundo levantamento do Instituto Internacional para Estudos Estratégicos.
Defensora do islamismo xiita e “império empresarial”
O historiador e chefe do Departamento de Relações Internacionais da Unifesp, Rodrigo Medina, avalia que o grupo, desde sua fundação em 1979, funciona como um braço armado na defesa do islamismo xiita (uma das duas grandes vertentes do islamismo, juntamente com os sunitas) – e tem a missão de exportar a vertente a outros países – “o que elucida a conexão com movimentos aliados estrangeiros, sobretudo organizações terroristas”, explica Medina.
Segundo o historiador, o grupo converteu-se nas últimas décadas em um “império empresarial” de bilhões de dólares, controlando um vasto conglomerado de empresas, monopólios de setores e subsídios do governo.
Para Medina, a Guarda provavelmente deve seguir fiel ao regime islâmico xiita dos aiatolá: “Muito dificilmente dará lugar na sucessão de Khamenei a uma ala mais progressista e próxima do ocidente”.
Influência bélica e no setor petrolífero
Quanto à influência bélica, o grupo controla o programa de mísseis balísticos do Irã e possuí um extenso arsenal de drones.
Em resposta aos ataques dos EUA e Israel, o grupo informou que bombardeou bases militares norte-americanas no Bahrein, no Kuwait e nos Emirados Árabes Unidos no sábado (28/2).
A Guarda Revolucionária também é responsável pela defesa marítima do território, o que inclui o Estreito de Ornuz – rota marítima por onde é transportado 20% do petróleo mundial. Nesse sábado, após a escalada bélica, o grupo ordenou o fechamento do Estreito de Ornuz.
A ação impactou o mercado de petróleo global. O preço do barril disparou desde o fim de semana, chegando a quase US$ 80 por unidade.
“A guarda revolucionária do Irã tem imensa influência na política e sociedade iraniana, a ponto de ser chamada de um ‘Estado dentro de um Estado‘ por quadros do governo”, afirmou Medina.
A ação impactou o mercado de petróleo global. O preço do barril disparou desde o fim de semana, chegando a quase US$ 80 por unidade.










