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Mundo

Trump endossa senador que acusa Brasil de ser injusto com o agro dos EUA

Senador republicano e empresário do ramo de milho e soja pediu que Trump anuncie algo em breve, "mesmo que não possa negociar imediatamente"

04/09/2026 11:52, atualizado 04/09/2026 12:38
Reprodução Freedom 250
presidente dos Estados Unidos Donald Trump

O senador republicano Chuck Grassley, que também é do ramo do agronegócio (produtor de milho e soja no estado de Iowa, EUA), mandou uma mensagem a Donald Trump, acusando o Brasil de ser “injusto para o agricultor americano”.

Nessa quinta-feira (3/9), o presidente publicou o texto do parlamentar na Truth Social, rede social que lançou e usa como meio de comunicação de decisões presidenciais.

Grassley pediu para que Trump dê aos agricultores norte-americanos o mesmo tratamento oferecido aos consumidores de produtos farmacêuticos, ou seja, para que ele repita a tática de pressão política utilizada contra as grandes indústrias farmacêuticas, exigindo que elas reduzissem os preços dos medicamentos para o consumidor americano.

“A situação é a seguinte: empresas americanas que produzem sementes, fertilizantes e produtos químicos estão vendendo seus produtos no exterior, e particularmente no Brasil, com grandes descontos, o que é injusto para o agricultor americano. No caso da semente de milho, os agricultores americanos estão pagando um adicional de 68% sobre o que é pago no Brasil”, defende o parlamentar.

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E continua pedindo para que Trump anuncie algo em breve, mesmo que não possa negociar imediatamente:

“É fácil ver que, se o senhor pressionar essas empresas como fez com as farmacêuticas, não precisará destinar US$ 11 bilhões aos agricultores para apoio emergencial. Por favor, analise isso; se constatar uma injustiça contra o agricultor americano, anuncie algo em breve, mesmo que não possa negociar imediatamente. Um muito obrigado da parte do agricultor americano”, concluiu.

  • Com 92 anos, Grassley é o senador em exercício mais velho dos EUA e o republicano com o mandato mais longo na história do Congresso. Ele exerce o cargo desde 1981, ininterruptamente. Atualmente é presidente pro tempore do Senado.

Segundo reportagem publicada pelo jornal britânico Financial Times, em julho,  os Estados Unidos correm o risco de perder para o Brasil o posto de maior exportador agrícola do mundo devido aos dados positivos para o agro brasileiro no ano passado. A diferença de exportação entre os dois países foi de apenas US$ 2 bilhões em 2025, quando em 2021 a distância era de US$ 56 bilhões.

A preferência da China pelos negócios com brasileiros também influenciou nessa balança, uma vez que as tarifas comerciais impostas pelos EUA no governo Trump levaram a China a trocar o mercado norte-americano pelo brasileiro, principalmente com relação à soja e algodão. Mas o principal motivo é a imensa capacidade de produção e colheita do Brasil.

De acordo com a Embrapa, o Brasil é o terceiro maior produtor de milho do mundo e figura entre os principais líderes globais na exportação do grão. Destaque estadual é Mato Grosso, que lidera isoladamente a produção nacional. O país fica atrás apenas dos Estados Unidos e da China no ranking de produção.

A colheita brasileira de milho no ciclo atual é estimada pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) em cerca de 141,7 milhões de toneladas, volume 0,4% superior ao ciclo passado. A primeira safra do cereal está toda colhida, e a produção, estimada em 29,6 milhões de toneladas.