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O governo britânico anunciou nesta quarta-feira (14/3), a expulsão de 23 diplomatas russos e a suspensão dos contatos bilaterais com Moscou. A primeira-ministra do Reino Unido, Theresa May, afirmou ainda que a Rússia é “culpada” pela tentativa de assassinato do ex-espião russo Serguei Skripal.

“Moscou não admite as acusações sem provas e não verificadas, e a linguagem dos ultimatos”, afirmou o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, antes de acrescentar que “espera que o bom senso prevaleça”. “A Rússia não tem qualquer relação com o que aconteceu no Reino Unido”, insistiu.

Na segunda-feira (12), a primeira-ministra britânica, Theresa May, declarou que é “muito provável que a Rússia tenha sido responsável” pelo envenenamento de Serguei Skripal e de sua filha, Yulia, no dia 4 de março com um agente neurotóxico, na cidade inglesa de Salisbury.

May deu um ultimato, até a noite de terça-feira (13), para que Moscou fornecesse explicações à Organização para a Proibição de Armas Químicas (Opaq). O chanceler russo, Serguei Lavrov, respondeu à medida da premiê dizendo que seu país é “inocente”.

Diante da falta de explicações por parte de Moscou, May reunirá seu Conselho de Segurança Nacional nesta quarta-feira (14) e é possível que adote sanções. “Esperamos que se imponha o bom senso e que outros países pelo menos se questionem se existe, ou não, uma prova, e se as condenações contra Moscou são justificadas”, disse o porta-voz do Kremlin.

Uma das sanções contra a Rússia pode ser o fechamento da emissora de televisão RT, considerada um instrumento de propaganda pró-Kremlin e na mira do órgão britânico regulador do setor de mídia. “Qualquer ação ilegal contra um veículo russo no Reino Unido levará a medidas de represália com base na reciprocidade”, advertiu Peskov.

Moscou planeja pedir acesso consular para poder visitar Yulia, que está hospitalizada em estado grave junto ao seu pai desde que foram envenenados. “A Embaixada da Rússia em Londres pedirá acesso consular à filha do ex-coronel do Serviço de Inteligência Militar GRU Serguei Skripal, que é cidadã russa”, apontou a agência de notícias Interfax.

Segundo o porta-voz do Kremlin, a Rússia segue disposta a cooperar com a investigação sobre as causas do incidente, mas “infelizmente não vemos a mesma disposição por parte do Reino Unido”.

ONU
Londres disse ao Conselho de Direitos Humanos da ONU que o uso de um agente neurotóxico militar detectado na tentativa de assassinato de Skripal representa uma flagrante quebra das leis internacionais e deveria servir como um alerta à comunidade internacional.

“O conselho e a Assembleia Geral da ONU têm criticado as violações das leis internacionais pela Rússia com regularidade alarmante. Seu comportamento temerário é uma afronta a tudo que este órgão defende”, disse o embaixador britânico Julian Braithwaite ao fórum em Genebra.

O presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, afirmou nesta quarta-feira (14) que Moscou está “muito provavelmente” envolvida no envenenamento de Skripal. “Expresso minha total solidariedade à primeira-ministra Theresa May frente ao brutal ataque, muito provavelmente inspirado por Moscou”, disse ele em sua conta no Twitter.