Inscreva-se no canal MetrópolesTV no YouTube
Mundo

Terremoto foi o mais forte na Venezuela em mais de 100 anos

Venezuela registrou dois terremotos com uma diferença de 39 segundos, de 7,1 e 7,5 na escala Richter

25/06/2026 05:51, atualizado 25/06/2026 05:54
Compartilhar notícia
Edilzon Gamez/Getty Images
Buscas por desaparecidos após terremoto na Venezuela

Os dois terremotos que atingiram a Venezuela nesta quarta-feira (24/6) foram os mais fortes a atingir o país em mais de um século. Este foi o maior tremor registrado desde 1900. Na ocasião, a costa norte do país foi atingida por um terremoto de magnitude 7,7.

De acordo com dados do Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS), a região norte do país tem um histórico de abalos sísmicos destrutivos. Contudo, nos últimos seis anos, somente sete sismos de magnitude seis ou superior foram registrados.  O mais devastador deles foi em julho de 1967, quando um tremor de 6,6 e epicentro a cerca de 131 km a leste causou aproximadamente 240 mortes e centenas de feridos.

O primeiro abalo sísmico desta quarta-feira (24/6), de magnitude 7,1 na escala Richter, foi registrado às 18h04 no horário local, e teve o epicentro próximo à cidade de San Felipe, no estado de Yaracuy, cerca de 280 quilômetros a oeste de Caracas.

Apenas 39 segundos depois e com epicentroo a apenas 5 km de distância, um segundo tremor foi sentido próximo ao município de Yumare. Ele foi ainda mais forte, de magnitude 7,5, segundo o  USGS. A região também foi afetada por mais de 20 tremores secundários.

Após os terremotos, alertas de tsunami chegaram a ser emitidos para a região do Caribe pelo Sistema de Alerta de Tsunamis dos EUA. Os alertas foram retirados depois.

Mortos, feridos e desaparecidos

A presidente interina do país, Delcy Rodriguez, confirmou 32 mortes e 700 feridos. O número, no entanto, deve aumentar, já que não conta com registros de La Guaira, região mais atingida pelo terremoto.

O Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) estimou que o número de mortos possa ficar entre 10 mil e 100 mil. “É provável que haja um alto número de vítimas e danos extensos, e é provável que o desastre seja generalizado”, informou a agência norte-americana em sua análise inicial.

Iniciativas populares têm tentado registrar os desaparecidos. Até o momento, foram reportados 8.378 desaparecidos. Desses, 418 já foram localizados e 7.960 permanecem sem contato com as famílias.

Em La Guaira, relatos e vídeos compartilhados nas redes sociais mostram que diversos prédios desabaram.

Segundo a presidente, na cidade, há dezenas de edifícios desabados e há um trabalho de resgate árduo em curso. “La Guaira tornou-se uma zona de desastre”, afirmou.

Delcy Rodríguez declarou situação de emergência e disse que na manhã desta quinta-feira (25/6) equipes de busca de países como Estados Unidos, República Dominicana, El Salvador, México e Catar devem chegar ao país para ajudar nos esforços para resgatar pessoas com vida.

Terremoto foi o mais forte na Venezuela em mais de 100 anos - destaque galeria
9 imagens
Agência dos Estados Unidos estima ao menos 10 mil mortos após terremotos na Venezuela
Socorristas tentam retirar sobreviventes dos escombros
Milhares de pessoas foram para as ruas de Caracas, após os terremotos
Sobreviventes em busca de informações na Venezuela
Correria nas ruas de Caracas, após terremotos na Venezuela
Terremotos de magnitude 7,2 e 7,5 atingiram a Venezuela nesta quarta (24/6)
1 de 9

Terremotos de magnitude 7,2 e 7,5 atingiram a Venezuela nesta quarta (24/6)

Foto: Edilzon Gamez/Getty Images
Agência dos Estados Unidos estima ao menos 10 mil mortos após terremotos na Venezuela
2 de 9

Agência dos Estados Unidos estima ao menos 10 mil mortos após terremotos na Venezuela

Edilzon Gamez/Getty Images
Socorristas tentam retirar sobreviventes dos escombros
3 de 9

Socorristas tentam retirar sobreviventes dos escombros

Jesus Vargas/Getty Images
Milhares de pessoas foram para as ruas de Caracas, após os terremotos
4 de 9

Milhares de pessoas foram para as ruas de Caracas, após os terremotos

Jesus Vargas/Getty Images
Sobreviventes em busca de informações na Venezuela
5 de 9

Sobreviventes em busca de informações na Venezuela

Foto: Jesus Vargas/Getty Images
Correria nas ruas de Caracas, após terremotos na Venezuela
6 de 9

Correria nas ruas de Caracas, após terremotos na Venezuela

Reprodução/Redes sociais
Prédios inteiros foram derrubados após terremotos na Venezuela
7 de 9

Prédios inteiros foram derrubados após terremotos na Venezuela

Reprodução/Redes Sociais
Teto do aeroporto de Caracas desabou
8 de 9

Teto do aeroporto de Caracas desabou

Reprodução/Redes Sociais
Terremoto foi o mais forte na Venezuela em mais de 100 anos - imagem 9
9 de 9

Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS)

Dezenas de países, entre eles o Brasil, ofereceram ajuda. Pelas redes sociais, o presidente Lula disse, nesta quarta-feira (24/6), que pediu ao Ministério das Relações Exteriores que avalie, juntamente com a Embaixada do Brasil em Caracas, a situação no país e as medidas de assistência que o Brasil possa adotar.

“Reafirmo nossa determinação em apoiar o governo da presidenta encarregada Delcy Rodríguez na recuperação de áreas afetadas desse país irmão”, disse.

A mensagem de Lula foi respondida por Delcy. “Recebemos com profunda gratidão a mensagem do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a disposição do Governo brasileiro de solidarizar-se com o povo da Venezuela durante esta tragédia”, afirmou.

Não há relatos de brasileiros feridos

O Palácio do Itamaraty afirmou, na noite desta quarta-feira (24/6), que “não há, até o presente momento, notícia de cidadãos brasileiros atingidos pelos efeitos dos terremotos”. A pasta disse que monitora a situação na Venezuela.

Para os brasileiros que estão no país, o Itamaraty destacou que o plantão consular permanece à disposição para prestar assistência. O plantão consular da Embaixada do Brasil em Caracas pode ser contatado por meio do telefone +58 414-3723337 e o plantão consular em Brasília, pelo telefone +55 (61) 98260-0610.

Terremoto foi sentido no Brasil

Estados do Norte do Brasil sentiram o tremor por volta das 19h30 da noite. Moradores de Belém (PA), Manaus (AM), Macapá (AP) e Boa Vista (RR) relataram tremores e, em alguns casos, deixaram prédios por precaução.

O Centro de Sismologia da Universidade de São Paulo (USP) disse que não há qualquer risco de danos para as cidades brasileiras. 

“É relativamente comum que sismos dessas magnitudes e com essas profundidades sejam sentidos a vários quilômetros de distância do epicentro. Apesar do susto que podem causar nas pessoas por aqui, a distâncias como essa não há chance de danos para as cidades brasileiras”, disse Bruno Collaço, sismólogo do Centro de Sismologia da USP.