Rússia diz que tropas europeias na Ucrânia serão "alvos legítimos"
Moscou afirma que contingentes enviados pela "coalizão dos dispostos" seriam intervenção estrangeira na guerra e alvos militares legítimos

A Rússia voltou a elevar o tom contra os aliados da Ucrânia e afirmou, nesta quarta-feira (15/7), que qualquer contingente militar enviado por países da chamada “coalizão dos dispostos” ao território ucraniano será considerado um alvo militar legítimo.
A declaração foi feita pela porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova, em resposta aos planos europeus de mobilizar uma força multinacional após um eventual acordo de paz.
Segundo Zakharova, o envio de tropas estrangeiras representaria uma intervenção direta no conflito e aumentaria as ameaças à segurança da Rússia.
“Nesse contexto, gostaríamos de reiterar que o envio de quaisquer contingentes militares dos países da chamada ‘coalizão dos dispostos’ para a Ucrânia é inaceitável para o nosso país. Isso significará, na prática, uma intervenção estrangeira e uma escalada das ameaças à segurança da Rússia”, afirmou. “Tais unidades serão consideradas por nós como alvos militares legítimos.”
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesResposta a Macron
A declaração ocorre após o presidente da França, Emmanuel Macron, afirmar que os preparativos para o eventual desdobramento da força multinacional estão avançados.
Segundo Zakharova, o líder francês disse que os planos para posicionar tropas longe da linha de frente já estão prontos e que exercícios militares serão realizados, nos próximos meses, em países europeus que fazem fronteira com a Ucrânia.
A proposta foi reafirmada nesta semana durante uma reunião, em Paris, dos países integrantes da “coalizão dos dispostos”, cujo objetivo é oferecer garantias de segurança a Kiev e auxiliar na reconstrução e reorganização das Forças Armadas ucranianas.
Os participantes também anunciaram que realizarão exercícios militares nos próximos meses para demonstrar a capacidade operacional da chamada Força Multinacional para a Ucrânia (MNF-U).
Defesa antimísseis
A advertência de Moscou ocorre dias após Ucrânia e outros nove países europeus anunciarem a criação da coalizão FREYJA, voltada ao desenvolvimento de um sistema integrado de defesa contra mísseis balísticos no continente.
A iniciativa reúne Dinamarca, França, Alemanha, Itália, Holanda, Noruega, Espanha, Suécia, Reino Unido e Ucrânia e busca fortalecer a capacidade europeia de responder a ataques com mísseis, diante da intensificação das ofensivas russas contra cidades ucranianas.
Em comunicado conjunto, os países afirmaram que a coalizão pretende construir uma arquitetura integrada de defesa antimísseis para a Europa, destacando que a experiência adquirida pela Ucrânia desde a invasão russa em larga escala, iniciada em 2022, será fundamental para o desenvolvimento do projeto.









