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Mundo

Disputa de Trump com aliados da Otan é vista como vitória da Rússia

Durante a última cúpula da Otan, Trump se disse decepcionado com membros da aliança, e voltou a ameaçar a Groenlândia

09/07/2026 04:30
Reprodução/Xinhua
Vladimir Putin presidente da Rússia

A Rússia comemorou a controversa cúpula da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), realizada na Turquia entre os dias 7 e 8 de julho, e enxergou que o encontro de líderes não serviu para suavizar as tensões dentro da aliança militar.

Ao comentar sobre a reunião, a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova, afirmou que o secretário-geral da Otan, Mark Rutte, não conseguiu “apaziguar” o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

“O ‘Teflon Mark’, como é chamado o secretário-geral, não conseguiu usar suas habilidades de vendedor para suavizar os cantos agudos nas relações entre os aliados da Otan. Em particular, para apaziguar o presidente dos EUA, Donald Trump, para que ele não perdesse o interesse em participar da garantia de segurança da Europa, e não acelerasse a retirada das forças e meios americanos do continente”, disse Zakharova.


Entenda a tensão entre Otan e EUA

  • A tensão entre EUA e Otan surgiu antes mesmo de Trump assumir a Casa Branca pela segunda vez, em janeiro de 2025.
  • Durante a corrida presidencial, o atual líder norte-americano ameaçou retirar os EUA da aliança caso aliados não atingissem metas mínimas com gastos em defesa.
  • Após a pressão, os membros da Otan concordaram em expandir seus investimentos na área militar para 5% do Produto Interno Bruto (PIB).
  • Os sinais positivos de Trump à Rússia no conflito da Ucrânia também provocaram descontentamento entre países membros do bloco militar.
  • Em janeiro deste ano, contudo, o futuro da aliança voltou a ser questionado após Trump ameaçar anexar a Groenlândia, ilha autônoma localizada na Dinamarca.
  • Diante das ameaças do presidente dos EUA, alguns países da Europa se mostraram prontos para defender a região de uma possível intervenção militar norte-americana, indo de encontro a um artigo da Otan que prevê a ajuda de aliados caso um membro da aliança seja atacado.
  • Meses depois, o conflito entre EUA, Israel e Irã voltou a colocar a Otan e a administração Trump em rota de colisão.
  • Na época, o presidente dos Estados Unidos solicitou o uso das bases militares de aliados para operações contra o país persa. Ele também buscou ajuda da Europa na tentativa de reabrir o Estreito de Ormuz, importante ponto onde cerca de 20% do petróleo mundial é escoado, que foi fechado pelos iranianos logo após o início da guerra.
  • Nenhum dos pedidos do mandatário norte-americano foram acolhidos pelos parceiros da Otan.

Realizada na capital turca Ancara, a reunião de chefes de Estado da Otan deste ano ficou marcada por posições firmes do líder norte-americano em relação aos aliados.

Nos dois dias de evento não faltaram declarações de Trump que colocam em dúvida o futuro da organização, criada durante a Guerra Fria para defender os interesses de países ocidentais.

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Logo ao chegar no evento, o líder norte-americano disse que ficou “muito decepcionado” com a Otan após aliados negarem ajudar os EUA no conflito contra o Irã. Por isso, Trump ameaçou retirar tropas norte-americanas de países da Europa.

Na cúpula, o mandatário dos Estados Unidos também voltou a fazer ameaças contra a Groenlândia, ilha autônoma que pertence à Dinamarca, um dos 32 membros da Otan. Em janeiro deste ano, Trump deu sinais de que poderia interferir no território, por julgar que a área é essencial para a segurança nacional norte-americana.

O projeto norte-americano é construir uma espécie de escudo contra mísseis, inspirados no Domo de Ferro de Israel, para proteger os EUA de possíveis ataques vindos da China ou Rússia.

Na tentativa de contornar o ímpeto do líder norte-americano, o chefe da Otan, Mark Rutte, afirmou que pretende garantir a implementação do um acordo entre EUA e a aliança militar sobre a Groenlândia para que Trump possa “implantar, se quiser, o Domo de Ouro” na ilha.

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Otan é a sigla para Organização do Tratado do Atlântico Norte, uma aliança militar intergovernamental criada em 4 de abril de 1949, após o fim da Segunda Guerra Mundial
Os países signatários do tratado, na época, eram a Bélgica, França, Noruega, Canadá, Islândia, Países Baixos, Dinamarca, Portugal, Itália, Estados Unidos, Luxemburgo e Reino Unido
Quando criada, reunia países ocidentais e capitalistas, liderados no contexto da bipolaridade formada entre os Estados Unidos (EUA) e a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), no período da Guerra Fria
A Otan tinha por objetivos impedir o avanço do bloco socialista no continente europeu, fazendo frente à URSS e a seus aliados da Europa Oriental, além de fornecer ajuda mútua a todos os países-membros
A aliança era baseada em três pilares: a defesa coletiva dos Estados-membros, impedir o revigoramento do militarismo nacionalista na Europa, e encorajar a integração política europeia
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Divulgação/Otan
Otan é a sigla para Organização do Tratado do Atlântico Norte, uma aliança militar intergovernamental criada em 4 de abril de 1949, após o fim da Segunda Guerra Mundial
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Otan é a sigla para Organização do Tratado do Atlântico Norte, uma aliança militar intergovernamental criada em 4 de abril de 1949, após o fim da Segunda Guerra Mundial

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Os países signatários do tratado, na época, eram a Bélgica, França, Noruega, Canadá, Islândia, Países Baixos, Dinamarca, Portugal, Itália, Estados Unidos, Luxemburgo e Reino Unido
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Os países signatários do tratado, na época, eram a Bélgica, França, Noruega, Canadá, Islândia, Países Baixos, Dinamarca, Portugal, Itália, Estados Unidos, Luxemburgo e Reino Unido

Otan
Quando criada, reunia países ocidentais e capitalistas, liderados no contexto da bipolaridade formada entre os Estados Unidos (EUA) e a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), no período da Guerra Fria
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Quando criada, reunia países ocidentais e capitalistas, liderados no contexto da bipolaridade formada entre os Estados Unidos (EUA) e a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), no período da Guerra Fria

Dirck Halstead/Getty Images
A Otan tinha por objetivos impedir o avanço do bloco socialista no continente europeu, fazendo frente à URSS e a seus aliados da Europa Oriental, além de fornecer ajuda mútua a todos os países-membros
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A Otan tinha por objetivos impedir o avanço do bloco socialista no continente europeu, fazendo frente à URSS e a seus aliados da Europa Oriental, além de fornecer ajuda mútua a todos os países-membros

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A aliança era baseada em três pilares: a defesa coletiva dos Estados-membros, impedir o revigoramento do militarismo nacionalista na Europa, e encorajar a integração política europeia
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A aliança era baseada em três pilares: a defesa coletiva dos Estados-membros, impedir o revigoramento do militarismo nacionalista na Europa, e encorajar a integração política europeia

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O período de bipolaridade entre EUA e URSS dividiu o mundo. Os dois países e seus respectivos aliados mantinham-se em alerta para eventuais ataques bélicos
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O período de bipolaridade entre EUA e URSS dividiu o mundo. Os dois países e seus respectivos aliados mantinham-se em alerta para eventuais ataques bélicos

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A Otan investiu em tecnologia de defesa, na produção de armas estratégicas e também espalhou pelas fronteiras soviéticas sistemas de defesa antimísseis
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A Otan investiu em tecnologia de defesa, na produção de armas estratégicas e também espalhou pelas fronteiras soviéticas sistemas de defesa antimísseis

DavidLees/Getty Images
Na fase final da Guerra Fria, a organização passou a assumir novos papéis. Em 1990, sob ordem do Conselho de Segurança da ONU, a Otan interveio no conflito da ex-Iugoslávia. Foi a primeira vez que agiu em território de um Estado não membro
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Na fase final da Guerra Fria, a organização passou a assumir novos papéis. Em 1990, sob ordem do Conselho de Segurança da ONU, a Otan interveio no conflito da ex-Iugoslávia. Foi a primeira vez que agiu em território de um Estado não membro

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Em 2001, a Otan anunciou a aplicação do princípio da segurança coletiva: um ataque feito a um país membro seria um ataque contra todos os demais
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Em 2001, a Otan anunciou a aplicação do princípio da segurança coletiva: um ataque feito a um país membro seria um ataque contra todos os demais

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Como os ataques terroristas ocorridos em setembro de 2001 foram considerados atos de guerra pelo governo norte-americano, a cláusula foi acionada. Por esse motivo, a organização participou da invasão ao Afeganistão
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Como os ataques terroristas ocorridos em setembro de 2001 foram considerados atos de guerra pelo governo norte-americano, a cláusula foi acionada. Por esse motivo, a organização participou da invasão ao Afeganistão

Scott Nelson/Getty Images
Além de ver o terrorismo como nova ameaça, a Otan colaborou com operações de paz e realizou ajuda humanitária, como aos sobreviventes do furacão Katrina, em 2005
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Além de ver o terrorismo como nova ameaça, a Otan colaborou com operações de paz e realizou ajuda humanitária, como aos sobreviventes do furacão Katrina, em 2005

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Soldados da Otan também realizaram operações militares em zonas conflituosas do mundo, como o Bálcãs, o Oriente Médio e o norte da África
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Soldados da Otan também realizaram operações militares em zonas conflituosas do mundo, como o Bálcãs, o Oriente Médio e o norte da África

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Atualmente, a aliança é composta por 32 países, localizados principalmente na Europa
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Atualmente, a aliança é composta por 32 países, localizados principalmente na Europa

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Bósnia e Herzegovina, Geórgia e Ucrânia são os três países classificados como “membros aspirantes” à organização. Porém, para a Rússia, a perspectiva da antiga república soviética Ucrânia se juntar à Otan é impensável
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Bósnia e Herzegovina, Geórgia e Ucrânia são os três países classificados como “membros aspirantes” à organização. Porém, para a Rússia, a perspectiva da antiga república soviética Ucrânia se juntar à Otan é impensável

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Especialistas ouvidos pelo Metrópoles afirmam que, apesar das polêmicas da cúpula, a tensão política em torno da Otan não significa, necessariamente, um enfraquecimento imediato da aliança — que é baseada em compromissos jurídicos e estratégicos a longo prazo.

Após o fim das reuniões entre chefes de Estados dos membros da aliança, a Otan divulgou um comunicado conjunto onde fez um balanço sobre o aumento em investimentos em Defesa e prometeu gastar mais de US$ 50 bilhões (cerca de R$ 258 bilhões) em armamentos.

O bloco também se comprometeu a manter o apoio “inabalável” à Ucrânia na guerra contra a Rússia. No evento, Trump também deu sinal verde para os ucranianos fabricarem mísseis Patriots, um desejo antigo do presidente Volodymyr Zelensky para aumentar a defesa aérea do país.

“As ameaças do Trump estão sendo contornadas, de certa maneira”, explica Sandro Teixeira, professor de Ciências Militares da Escola de Comando e Estado-Maior do Exército Brasileiro (ECEME). “É interessante perceber que tudo o que estamos vendo [crise Trump x Otan] são ações que poderiam dar um espaço relativo à Rússia, mas o fato de que o próprio presidente dos EUA ter admitido o apoio de ataques na retaguarda russa, e a divulgação recente de notícias sobre o envolvimento da comunidade de inteligência norte-americana nas ações, mostram como a Ucrânia conseguiu manter uma grande pressão sobre a Rússia”.

Ainda assim, o desgaste diplomático pode afetar a confiança entre os países-membros do bloco — o que pode exigir maiores esforços para a preservação da coesão da Otan.

“Sob a ótica geopolítica, qualquer sinal de divisão entre os membros da Otan tende a ser estrategicamente favorável à Rússia, ainda que isso não represente uma vantagem militar imediata”, afirma o advogado especialista em direito militar Diego Rodrigo. “Quando surgem dúvidas sobre o grau de comprometimento dos Estados Unidos ou sobre a unidade política da aliança, Moscou pode interpretar esse cenário como uma oportunidade para ampliar sua influência diplomática, explorar divergências entre os aliados e aumentar a pressão sobre o flanco oriental europeu.”