Rússia rejeita acusações de interferência nas eleições dos EUA
Presidente dos EUA, Donald Trump, retomou acusações sobre interferência estrangeira e anunciou investigação sobre supostas fraudes

A Rússia rejeitou as acusações dos Estados Unidos de tentativa de interferência nas eleições americanas nesta sexta-feira (17/7). O porta-voz do Kremlin negou que o país tenta influencia o resultado das urnas, como tem sido reforçado pelo presidente Donald Trump.
No discurso que fez nessa quinta (16/7), Trump fez acusações principalmente direcionadas à China, que também condenou as declarações do presidente norte-americano. A Rússia foi citada apenas rapidamente, ao lado de outros países como Irã e Coreia do Norte.
“Esta noite, estamos publicando uma série de avaliações anteriormente sigilosas da comunidade de inteligência dos Estados Unidos e outros relatórios que comprovam que o nosso governo há muito tempo sabe que essas máquinas são extremamente vulneráveis a ataques. Como afirma uma dessas avaliações: ‘Avaliamos que os adversários dos Estados Unidos, incluindo, no mínimo, Rússia, China, Irã e Coreia do Norte, bem como grupos não estatais, têm capacidade de comprometer a infraestrutura eleitoral dos Estados Unidos'”, afirmou o republicano.
Acusações
- Esta não foi a primeira vez que a Casa Branca fez declarações sobre uma suposta interferência estrangeira nas eleições dos EUA. O próprio Trump chegou a ser investigado em seu primeiro mandato por um suposto conluio com a Rússia durante sua campanha eleitoral.
- Foi sob esse argumento que seus apoiadores invadiram o Capitólio em 6 de janeiro de 2021, quando o Congresso referendaria os resultados eleitorais.
- Nesta quinta, ele anunciou a abertura de cinco grupos de documentos pela Casa Branca que supostamente provariam fraudes e disse que solicitaria uma investigação sobre a China a seu diretor do FBI, Kash Patel.
Possível interferência
As alegações de Trump atribuindo sua derrota a uma suposta fraude nas urnas em 2020 já vêm de longa data.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesEm fevereiro de 2018, o Departamento de Justiça dos EUA fez uma acusação formal contra 13 cidadãos e três entidades russas por interferir nas eleições presidenciais de 2016. As afirmações tinham como objetivo apontar o apoio a campanha do então candidato Donald Trump, na época já eleito, e prejudicar a oponente democrata, Hillary Clinton.
Cinco meses depois, Trump disse que não acreditava que a Rússia tivesse interferido nas eleições de 2016 e que confiava na palavra de Putin, contrariando as indicações das agências de inteligência dos Estados Unidos. A fala causou polêmica e, em uma entrevista, o republicano mudou seu discurso. Só em março de 2019, após quase dois anos de investigação, Trump se livrou da acusação de conluio com Moscou.
O relatório do procurador especial Robert Mueller concluiu que ele não havia cometido o crime de conspiração (ou conluio), mas não o isentou da possibilidade de ter cometido outro crime, o de obstrução de justiça. Disse apenas que não havia provas suficientes para condená-lo.
Em 2021, três meses após o começo de seu mandato, o ex-presidente democrata Joe Biden anunciou sanções à Rússia como uma resposta à interferências dos russos nas eleições americanas de 2016 e uma operação de ataque virtual que conseguiu acessar dados de agências governamentais dos EUA.
Porém, no mesmo ano, uma avaliação não sigilosa da comunidade de inteligência dos EUA disse que não encontrou indícios de que qualquer ator estrangeiro tenha tentado ou conseguido alterar “qualquer aspecto técnico” da votação da eleição presidencial de 2020, incluindo registros de eleitores, cédulas, apurações ou resultados.
Tribunais, auditorias eleitorais e o próprio Departamento de Justiça dos EUA também rejeitaram as acusações sobre uma suposta vulnerabilidade eleitoral nos EUA. Declararam que não encontraram evidências de fraude, incluindo qualquer manipulação de urnas eletrônicas.
À época, a agência federal de segurança cibernética classificou a votação como “a mais segura da história dos Estados Unidos”.



