Rússia admite impacto negativo de crise em Ormuz e bloqueio dos EUA
Bloqueio ao Irã e restrições em Ormuz elevam custos e reduzem demanda. “Seria insensato dizer que não afetou a Rússia”, declara Kremlin
atualizado
Compartilhar notícia

A Rússia passou a reconhecer de forma mais direta os impactos da crise no Estreito de Ormuz sobre sua própria economia. O vice-ministro das Relações Exteriores, Alexander Pankin, afirmou nesta quarta-feira (22/4) que as restrições à navegação na região e o bloqueio naval imposto pelos Estados Unidos ao Irã têm efeitos negativos para Moscou.
“É claro que afetou a todos, seria insensato dizer que não afetou a Rússia”, declarou o diplomata, ao comentar a escalada de tensões no Golfo Pérsico.
Segundo ele, a avaliação de que o país se beneficia automaticamente da alta do petróleo é simplista. Embora a Rússia seja uma grande exportadora de energia, explica Pankin, o aumento dos preços internacionais traz efeitos colaterais relevantes.
“Os preços altos reduzem a demanda. Além disso, combustíveis, fertilizantes e muitas outras coisas ficam mais caros. Isso nos torna vulneráveis, porque importamos muito”, afirmou.
A declaração marca uma mudança de tom em relação a posicionamentos anteriores do Kremlin.
Escalada no Golfo
- O Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial, tornou-se um dos principais focos de tensão geopolítica nas últimas semanas.
- O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que manterá o bloqueio naval ao Irã até a assinatura de um acordo definitivo, mesmo após estender a trégua.
- Em resposta, forças ligadas à Guarda Revolucionária iraniana anunciaram restrições à navegação no estreito, apesar de declarações do chanceler iraniano, Abbas Araghchi, de que a passagem seguiria aberta para embarcações comerciais sob coordenação de Teerã.
- A troca de farpas aumentou a incerteza no mercado internacional e elevou o risco de interrupções no fluxo de petróleo e gás natural, pressionando preços e cadeias de suprimento.
Para o russo, o cenário atual é comparável a grandes crises internacionais das últimas décadas. “Esta crise é extremamente difícil e pode ser comparada às principais crises dos últimos 50 a 60 anos”, disse.
O diplomata ressaltou que, apesar de a Rússia ter certo grau de autossuficiência, o país não está isolado dos efeitos do mercado global. A alta generalizada de preços e a queda potencial da demanda podem afetar tanto exportações quanto o custo de importações estratégicas.








