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"Eleito para consertar erros", diz Sunak, 1º ministro do Reino Unido

Pela primeira vez em 40 anos, o país registrou inflação acima dos 10%. Sunak disse que a população deve esperar "tempos difíceis"

Márcia Delgado25/10/2022 08:06, atualizado 25/10/2022 11:18
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Aaron Chown - WPA Pool/Getty Images
O rei Carlos III recebe Rishi Sunak durante uma audiência no Palácio de Buckingham, onde convidou o recém-eleito líder do Partido Conservador para se tornar primeiro-ministro e formar um novo governo em 25 de outubro de 2022 em Londres, Inglaterra. Rishi Sunak assumirá hoje o cargo de 57º primeiro-ministro do Reino Unido, depois de ter sido nomeado líder conservador ontem. Ele foi o único candidato a obter mais de 100 votos de parlamentares conservadores na disputa pelo cargo mais alto. Ele disse que seu objetivo era unir seu partido e o país

O ex-ministro das Finanças do Reino Unido Rishi Sunak foi oficialmente nomeado pelo rei Charles III, nesta terça-feira (25/10), como primeiro-ministro do país.

Sunak substitui Liz Truss. No primeiro discurso após ser empossado, ele homenageou sua antecessora. Truss renunciou na última semana, 45 dias após assumir o cargo e ver plano econômico fracassar. Ela previa severos cortes de impostos e a criação de novas linhas de crédito para tentar cobrir o rombo que a medida provocaria no orçamento britânico.

O Reino Unido vive uma das piores crises econômicas. Pela primeira vez em 40 anos, o país registrou inflação acima dos 10%. Sunak disse que a população deve esperar “tempos difíceis”.

“Quero homenagear Liz Truss. Ela não estava errada. Foi uma causa muito nobre, mas alguns erros persistiram. E eu fui eleito para, em parte, consertar esses erros, e esse trabalho começa imediatamente. Isso significa que decisões difíceis virão. Nosso país está sofrendo uma profunda crise econômica. Os efeitos da pandemia ainda ressoam, a guerra também. Meu governo não deixará às próximas gerações as dívidas que fomos muito fracos para pagar”, declarou.

O novo primeiro-ministro disse ainda que a crise econômica reflete as consequências da pandemia de Covid. “A guerra de Putin na Ucrânia desestabilizou os mercados de energia e as cadeias de suprimentos em todo o mundo”, frisou.

Liz Truss discursou antes de Sunak e pediu que o próximo governo invista no crescimento econômico. O novo primeiro-ministro foi oficialmente nomeado pelo rei Charles no Palácio de Buckingham, sede oficial da monarquia britânica, em Londres.

Quem é Rishi Sunak

O novo primeir0-ministro do Reino Unido, Rishi Sunak, 42 anos, é filho de imigrantes indianos e será o primeiro hindu a ocupar o cargo. Ele ficou popular após conduzir o país durante a crise ocasionada pela pandemia da Covid-19, enquanto ocupou o cargo de ministro das Finanças no decorrer do mandato de Boris Johnson.

O político foi elevado ao cargo sem a necessidade de uma eleição, nessa segunda-feira (24/10), após a principal adversária, Penny Mordaunt, desistir da candidatura por não ter conquistado apoio mínimo de 100 parlamentares conservadores.

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Rishi Sunak é o primeiro hindu a assumir o cargo
Rishi Sunak e Liz Truss disputaram o cargo de primeiro-ministro. Após ela renunciar, Sunak assumiu
Rishi Sunak ao lado da esposa, Akshata Murthy
Rishi Sunak e Boris Jonhson
Rishi Sunak é ex-ministro das Finanças do Reino Unido
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Rishi Sunak é ex-ministro das Finanças do Reino Unido

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Rishi Sunak é o primeiro hindu a assumir o cargo
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Rishi Sunak é o primeiro hindu a assumir o cargo

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Rishi Sunak e Liz Truss disputaram o cargo de primeiro-ministro. Após ela renunciar, Sunak assumiu
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Rishi Sunak e Liz Truss disputaram o cargo de primeiro-ministro. Após ela renunciar, Sunak assumiu

Jacob King - WPA Pool/Getty Images
Rishi Sunak ao lado da esposa, Akshata Murthy
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Rishi Sunak ao lado da esposa, Akshata Murthy

Max Mumby/Indigo/Getty Images
Rishi Sunak e Boris Jonhson
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Rishi Sunak e Boris Jonhson

Dan Kitwood-WPA Pool/Getty Images

Sunak é figura conhecida na economia, um dos principais motivos que levaram à queda da antecessora, Liz Truss, que teve o governo mais curto da história do país.

O novo premiê anunciou, no domingo (23/10), que pretendia concorrer ao cargo. “O Reino Unido é um grande país, mas enfrentamos profunda crise econômica. É por isso que estou concorrendo para ser o líder do Partido Conservador e seu próximo primeiro-ministro. Quero consertar nossa economia, unir nosso Partido e entregar pelo nosso país”, escreveu em sua conta no Twitter.

Renúncia de Boris Johnson

Titular da pasta de Finanças durante a pandemia da Covid-19, o nome de Sunak foi novamente levado à imprensa internacional às vésperas da renúncia de Boris Johnson. Em julho, ele se demitiu do cargo e liderou a debandada de membros do governo que culminou na renúncia do ex-premiê.

Sunak era um dos principais membros do governo Johnson. Durante a crise de saúde global ocasionada pela pandemia, ele criou programas de auxílios para população e empresas. Contudo, chegou a ser multado por ter violado as regras do lockdown, quando participou de uma festa de aniversário do ex-premiê, em 2020.

Depois que Johnson deixou o cargo, o político se candidatou à função de líder do Partido Conservador e primeiro-ministro. Ele chegou a ser o mais votado entre os parlamentares eleitos, mas perdeu a disputa para Liz Truss na etapa final, em que todos os 170 mil filiados do partido puderam votar.

Quando Truss entregou o posto após 45 dias na função, Sunak voltou a ser o favorito na disputa. Após Johnson desistir de concorrer e Penny Moundant não conquistar o requisito de no mínimo 100 apoios do Partido Conservador, ele foi definido como o único capaz de assumir o cargo, sem a necessidade de uma eleição.

Trajetória

O novo primeiro-ministro do Reino Unido é de origem indiana, filho de pais que imigraram da África. Ele é visto como exemplo do atual multiculturalismo britânico.

Sunak estudou em uma escola de elite do Reino Unido e graduou-se na universidade de Oxford, uma das mais tradicionais do mundo. Também fez mestrado em Stanford, nos Estados Unidos. Durante a trajetória internacional, trabalhou em fundos de investimentos até, em 2015, ser eleito deputado pelo Partido Conservador.

Em fevereiro de 2020, foi nomeado para a pasta de Finanças aos 39 anos, na qual permaneceu até entregar o cargo, em meio aos escândalos do governo Johnson. À época, ele divulgou uma carta justificando que “o público espera, com razão, que o governo seja conduzido de forma adequada, competente e séria. Acredito que vale a pena lutar por esses padrões, e é por isso que estou me demitindo”.

Ele também se envolveu na própria crise, quando a esposa dele, a bilionária filha do fundador da empresa de tecnologia indiana Infosys, Akshata Murty, conseguiu deduções do Imposto de Renda, mesmo sem dificuldades financeiras.