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Plano polêmico de Liz Truss desagradou o mercado e custou seu mandato

Governo propôs cortes de impostos e aumento dos empréstimos para evitar recessão. Ele custaria cerca de 45 bilhões de libras

20/10/2022 10:21, atualizado 20/10/2022 12:32
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Christopher Furlong/Getty Images
Liz Truss é a nova primeira-ministra do Reino Unido

A renúncia de Liz Truss do cargo de primeira-ministra do Reino Unido, apenas 45 dias após assumir, é atribuída a um polêmico plano anunciado pelo governo que alarmou os mercados sobre os riscos de desequilíbrio fiscal envolvendo um “alívio” nas contas de energia aos consumidores.

Divulgado no fim de setembro, o plano de crescimento incluía um pacote de cortes de impostos e incentivos em investimentos. O governo tenta estimular a economia, enquanto o país sofre uma dura inflação de 9,9% e beira a recessão. A economia britânica sente os reflexos da pandemia, da guerra da Ucrânia e dos impactos causados pelo Brexit (a saída do Reino Unido da União Europeia).

O plano deveria custar aos cofres ingleses cerca de 45 bilhões de libras esterlinas (ou US$ 50 bilhões). O valor seria somado aos 60 bilhões de libras (US$ 66,5 bilhões) referentes aos planos de ajuda às contas de energia doméstica anunciados pela então primeira-ministra semanas antes.

Mas houve resistência forte. O mercado temia mais inflação em um momento delicado em que os preços já estão elevados e os países desenvolvidos trabalham com altas taxas de juros. O plano de Liz Truss também sofreu duras críticas do Fundo Monetário Internacional (FMI) e dos próprios membros do Partido Conservador.

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Liz Truss e Rishi Sunak concorreram dentro do Partido Conservador pelo cargo de primeiro-ministro
Truss ao lado do ex-primeiro-ministro Boris Jonhson, ambos adeptos do Brexit
Truss é natural de Oxford, no sudeste da Inglaterra
Truss se formou em filosofia, política e economia, no Merton College, parte da Universidade de Oxford
Antes de assumir como primeira-ministra, Liz Truss ocupava o cargo de secretária de Relações Exteriores do Reino Unido
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Antes de assumir como primeira-ministra, Liz Truss ocupava o cargo de secretária de Relações Exteriores do Reino Unido

Christopher Furlong/Getty Images
Liz Truss e Rishi Sunak concorreram dentro do Partido Conservador pelo cargo de primeiro-ministro
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Liz Truss e Rishi Sunak concorreram dentro do Partido Conservador pelo cargo de primeiro-ministro

Dan Kitwood/Getty Images
Truss ao lado do ex-primeiro-ministro Boris Jonhson, ambos adeptos do Brexit
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Truss ao lado do ex-primeiro-ministro Boris Jonhson, ambos adeptos do Brexit

Henry Nicholls - Pool/Getty Images
Truss é natural de Oxford, no sudeste da Inglaterra
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Truss é natural de Oxford, no sudeste da Inglaterra

Szymanowicz/Anadolu Agency via Getty Images
Truss se formou em filosofia, política e economia, no Merton College, parte da Universidade de Oxford
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Truss se formou em filosofia, política e economia, no Merton College, parte da Universidade de Oxford

James Manning/PA Images via Getty Images

Truss demitiu o ministro das Finanças, Kwasi Kwarteng, no último dia 14, na esteira da má recepção ao plano apresentado. Kwarteng ficou no cargo por apenas 38 dias – o segundo mandato mais curto da história da pasta.

Para acalmar os mercados e restaurar a credibilidade do governo, o novo chefe da pasta, Jeremy Hunt, disse que reverteria “quase todas” as medidas fiscais anunciadas por seu antecessor.

Renúncia

Mesmo com a substituição, Truss não reuniu condições para se manter no cargo e renunciou nesta quinta-feira (20/10). “Reconheço, dada a situação, que não posso cumprir o mandato para o qual fui eleita pelo Partido Conservador. Por isso, falei com Sua Majestade, o Rei, para notificá-lo de que estou renunciando ao cargo de líder do Partido Conservador”, disse ela em discurso.

Truss, que substituiu Boris Johnson, é a terceira líder do Reino Unido consecutiva a deixar ao cargo antes do fim do mandato, e ficou por menos tempo na função na história do país. Ela anunciou que permanecerá como premiê até que um substituto seja escolhido.

A premiê convocou uma reunião com o presidente do comitê de seu partido responsável por convocar novas eleições internas, nesta quinta-feira. Segundo ela, os dois acertaram os detalhes de uma eleição para o novo líder do Partido Conservador, a ser concluída na próxima semana.