Reino Unido divulga mensagens de ex-embaixador amigo de Epstein

Peter Mandelson, 72 anos, era amigo íntimo do abusador sexual e foi demitido após a relação entre os dois ser revelada ano passado

atualizado

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Peter Mandelson - Metrópoles
1 de 1 Peter Mandelson - Metrópoles - Foto: Cindy Ord/WireImage/Getty Images

Nesta segunda-feira (1º/6), uma série de documentos com centenas de páginas sobre o ex-embaixador do Reino Unido em Washington Peter Mandelson, 72 anos, foram divulgadas pelo governo britânico. Mandelson foi demitido após vir à tona, no ano passado, sua relação com Jeffrey Epstein, financista e abusador sexual de menores morto em 2019.

O ex-embaixador foi nomeado pelo primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, a um dos cargos mais importantes da diplomacia internacional, em fevereiro de 2025. Contudo, após a divulgação de e-mails revelando a estreita e longa amizade com Epstein, o próprio Stamer o demitiu, nove meses depois de designá-lo para a função.

Além de a descoberta ter respingado na reputação do primeiro-ministro, agora foram divulgados e-mails e mensagens de texto entre Mandelson, ministros e assessores, comprovando que parte do governo inglês tinha sido alertado sobre a relação com Epstein e um provável “risco reputacional”. 

Uma das notas do ex-embaixador teria sido entregue antes de sua nomeação ao então ministro das Relações Exteriores, David Lammy. Nela, ele parece tentar convencer o ministro sobre sua competência no posto, ao garantir que “o governo nunca se arrependeria”. 

Ele chegou a ser preso em fevereiro deste ano, acusado de ter repassado informações governamentais confidenciais a Epstein quando era ministro do governo britânico, na década de 1990.

Apesar de ter sido libertado, a investigação continua e deve analisar, inclusive, os documentos divulgados pelo governo hoje. Alguns foram mantidos em sigilo, a pedido da polícia; entre eles, o resumo da verificação de segurança de Mandelson, feito antes da posse como embaixador.

Na primeira leva de arquivos Mandelson/Epstein, em março deste ano, Starmer foi a público e disse que o ex-embaixador mentiu para ele sobre a amizade e afirmou que não foi informado sobre a recomendação relativa à autorização de segurança. 

Outras mensagens

As demais mensagens de Mandelson são críticas sobre o governo dos EUA e sua opinião sobre o próprio Starmer. Confira alguns trechos:

“Conduzir os interesses da Grã-Bretanha por meio da administração Trump exigirá habilidades sobre-humanas, sorte e um enorme esforço de equipe”, disse a Lammy.

Ao ministro sênior do gabinete, Pat McFadden, ele escreveu que as dificuldades do governo Starmer vêm “de cima, e Keir carece de vigor, assim como o Gabinete como um todo. As pessoas têm boas intenções, mas é preciso mais gente capaz de executar”.

Em um memorando para Starmer, ele escreveu: “O presidente Trump trouxe sua marca particular para a Casa Branca. América em primeiro lugar é o princípio norteador de seu governo”, afirmou.

Disse ainda que, nos próximos quatro anos, o país “jogará no sistema internacional com um conjunto diferente de regras — impactando o comércio, a política externa e a política interna, com implicações internacionais e vigor extraordinário”.

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