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Mundo

Rei Pelé já "parou" duas guerras. Saiba onde e quando

Décadas antes de virar símbolo global do futebol, o rei Pelé protagonizou episódios ligados a tréguas em conflitos na Nigéria e no Congo

Manuela de Moura10/06/2026 22:00
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Picture alliance via Getty Images
Foto em preto e branco de Pelé - Metrópoles

Muito antes de a Copa do Mundo de 2026 colocar em evidência discussões sobre guerra, segurança migratória e geopolítica, um brasileiro já havia entrado para o imaginário popular por um feito improvável: “parar” conflitos armados apenas com a força do futebol. A história envolve ninguém menos do que Pelé.

Ao longo de décadas, a figura do Rei do Futebol foi associada a episódios que teriam provocado interrupções temporárias em confrontos na África durante excursões do Santos em 1969.

Embora historiadores debatam até hoje se houve cessar-fogos oficiais ou apenas uma redução momentânea das hostilidades, os acontecimentos ajudaram a consolidar uma das lendas mais famosas da carreira do camisa 10.

Nigéria

O episódio mais conhecido ocorreu em 4 de fevereiro de 1969, na cidade de Benin, na Nigéria.

Na época, o país africano vivia a Guerra de Biafra, um conflito separatista iniciado em 1967 e que se transformaria em uma das maiores tragédias humanitárias do século 20. Estimativas apontam que entre centenas de milhares e até milhões de pessoas morreram durante a guerra.

Em meio aos combates, o Santos recebeu um convite para disputar um amistoso contra uma seleção local na região próxima à zona de conflito.

Segundo relatos reproduzidos pelo próprio Pelé anos depois, autoridades locais concordaram em interromper temporariamente as hostilidades para permitir a realização da partida e garantir a segurança da delegação brasileira.

“Um dos meus grandes orgulhos foi ter parado uma guerra na Nigéria, em 1969, em uma das várias excursões que o Santos fez pelo mundo”, escreveu Pelé em publicação nas redes sociais em 2020.

O amistoso terminou com vitória santista por 2 a 1 diante de cerca de 25 mil torcedores.

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Pelé posa com um troféu
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Pelé posa com um troféu

Robert Cianflone/Getty Images
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Bettmann/Getty Images

Congo

Menos conhecida, outra história semelhante também ocorreu durante a mesma excursão africana.

Naquele período, o Santos passou pela então República do Congo e pela República Democrática do Congo, países que enfrentavam tensões políticas e confrontos internos.

Relatos históricos ligados ao clube afirmam que a presença de Pelé e do elenco santista mobilizou multidões e ajudou a reduzir temporariamente as hostilidades locais para que militares e civis pudessem acompanhar os jogos.

Assim como ocorreu na Nigéria, não há consenso entre pesquisadores sobre a existência de um cessar-fogo formal. Ainda assim, o episódio reforçou a imagem de Pelé como uma figura capaz de transcender fronteiras, disputas ideológicas e conflitos armados.

Mais de cinco décadas depois, a história permanece viva no imaginário do futebol.

A torcida do Santos eternizou o episódio em um dos cantos mais famosos das arquibancadas: “Só o Santos parou uma guerra”.

Independentemente da discussão histórica sobre o alcance real das tréguas, os acontecimentos revelam a dimensão global alcançada por Pelé durante o auge da carreira.

Da África de 1969 à Copa de 2026

A lembrança ganha novo significado em meio à Copa do Mundo de 2026.

Pela primeira vez na história do torneio, um dos países-sede — os Estados Unidos — recebe uma seleção nacional de um país com o qual está diretamente envolvido em um conflito armado: o Irã.

A participação iraniana tem sido acompanhada por medidas especiais de segurança e logística, incluindo restrições de deslocamento e exigências migratórias diferenciadas para integrantes da delegação.