Putin assina anexação de zonas ucranianas: "Fizeram suas escolhas"
Cerimônia desta sexta (30) formaliza incorporação de 4 regiões ao território da Rússia. Referendo é "ilegal", segundo a Ucrânia e aliados

O presidente da Rússia, Vladmir Putin, formalizou nesta sexta-feira (30/9) a anexação de 15% do território ucraniano durante cerimônia no Palácio do Kremlin com políticos e outros aliados do governo. A medida é considerada “ilegal” pela Ucrânia e fere princípios do direito internacional.
No início do evento, o líder russo disse que “as pessoas fizeram suas escolhas”, em referência à vitória proclamada por Moscou nos referendos realizados em Donetsk e Luhansk, no leste, e em Kherson e em Zaporizhzhia, ao sul do país. A votação não foi reconhecida por Kiev e pelos países ocidentais aliados da Ucrânia.
Putin também afirmou que o Ocidente, ao contestar as anexações, “está procurando uma nova forma de destruir a Rússia”, e alegou estar pronto para retomar negociações de um cessar-fogo com Kiev, mas sem abrir mão dos territórios incorporados.
Retomando o discurso de que a Rússia e a Ucrânia são “um só povo”, em referência à antiga União Soviética, Putin disse que os moradores dessas regiões “se tornarão cidadãos russos para sempre”.
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles“As pessoas foram retiradas da sua pátria natal quando a União Soviética acabou”, declarou. “Chamamos Kiev para negociar, mas não vamos discutir o desejo das pessoas, isso já foi decidido, a Rússia não vai trair as pessoas”, disse Putin.
Contudo, o presidente ucraniano, Volodomir Zelensky, já reforçou que o país não aceita fazer qualquer tipo de concessão territorial.

Ameaça ocidental
Uma parcela significativa do discurso do presidente russo foi dedicada a ataques ao Ocidente. Putin afirmou que os líderes de nações ocidentais se baseiam em pilares imperialistas e “desejam ver a Rússia como uma colônia”.
“O Ocidente não consegue sair da mentalidade colonial. Eles querem manter a hegemonia e continuam buscando meios de enfraquecer a Rússia”, afirmou.
Ele também comparou o que chama de russofobia ao racismo, e adicionou que o “mundo unipolar construído pelo Ocidente é antidemocrático”. Por fim, o líder ucraniano garantiu que protegerá a cultura russa diante do que chama de “ameaças ocidentais”, e acusou países europeus e os EUA de usarem a “escravização ao invés da democracia”.
O chefe do Kremlin também criticou o que chamou de uma “guerra híbrida” contra o país que lidera, a partir do envio de armamento à Ucrânia e do financiamento militar por parte de aliados ocidentais. Ele mencionou ainda a ameaça de uma guerra nuclear — na semana passada, Putin sugeriu que poderia usar armas nucleares diante de ameças e concluiu: “Não é um blefe”.
Referendos
Na prática, a aprovação popular anunciada por Moscou permite que a Rússia considere as quatro regiões como parte de seu próprio território. Em caso de investida ucraniana contra essas áreas, Putin entenderia como ataque à nação russa, o que poderia provocar retaliações, inclusive com armas nucleares.
O mandatário disse que seu objetivo é “libertar” a região do Donbass, no leste da Ucrânia. E afirmou que a maioria das pessoas que vivem em regiões sob controle russo não quer mais ser governada por Kiev.






















