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Protestos violentos se espalham pelo Irã e deixam Khamenei sob pressão

Nova onda de protestos no país já resultou na morte de ao menos 42 pessoas, entre manifestantes e forças de segurança do Irã

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1 de 1 Imagem colorida mostra o líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei - Metrópoles - Foto: IRANIAN LEADER PRESS OFFICE/Anadolu via Getty Images

Cerca de quatro anos após protestos tomarem as ruas do Irã, por conta da morte de Mahsa Amini, manifestações violentas voltaram a ser registradas no país, desta vez relacionadas a situação econômica. As agitações colocam em risco o governo do aiatolá Ali Khamenei, que enfrenta um novo desafio diante da nova pressão interna: as ameaças de Donald Trump.


O que está acontecendo?

  • Os protestos no Irã começaram em dezembro de 2025, motivados pela crise econômica no país.
  • No período de um ano, a moeda local, o rial iraniano, caiu 56% em relação ao dólar. Já o preço dos alimentos no país teve uma média de aumento que girou na casa dos 72%.
  • A nova onda de manifestações é a maior desde 2022, quando iranianos foram às ruas protestar contra a morte da jovem Mahsa Amini. Ela foi assassinada enquanto estava sob custódia de autoridades locais, que a detiveram pelo suposto mal uso do hijab, o véu islâmico de uso obrigatório para mulheres iranianas.
  • Até o momento, 42 pessoas já morreram durante conflitos entre manifestantes e forças de seguranças do Irã.
  • Mesmo com as reivindicações das ruas, e a crise econômica que justifica os atos, Teerã tem acusado atores estrangeiros, como os EUA, de estarem por trás dos protestos. O objetivo, argumentam autoridades, seria desestabilizar o país.

A nova onda de manifestações no país começou em 28 de dezembro do último ano, a partir de comerciantes em Teerã que declararam greve, e receberam o apoio posterior de outros setores do país.

Apesar de as manifestações iranianas serem motivadas pela grave crise econômica que afeta o país, lideranças de Teerã passaram a acusar forças estrangeiras de estarem por trás das agitações. O objetivo, segundo o governo teocrata, seria desestabilizar o país.

Neste cenário, o aiatolá Ali Khamenei aponta o governo dos Estados Unidos, liderado por Trump, como o principal ator estrangeiro que estaria influenciando os distúrbios no Irã.

“Na noite passada, em Teerã e em algumas outras cidades, um grupo de pessoas com intenções destrutivas chegou e destruiu prédios pertencentes ao seu próprio país, a fim de agradar o presidente dos EUA e deixá-lo feliz”, disse Khamenei durante primeiro discurso transmitido pela televisão estatal iraniana na sexta-feira (9/1).

Em primeira fala desde o início dos protestos, o líder iraniano traçou um paralelo entre a situação vivida pelo Irã com a intervenção dos EUA na Venezuela.

“Vocês podem ver como eles [norte-americanos] sitiaram um país da América Latina e tomara algumas medidas por lá. Eles nem sequer têm vergonha e afirmam explicitamente que tudo isso foi por causa do petróleo”.

Antes da declaração de Khamenei, Trump fez uma série de ameaças contra o governo teocrata. Após relatos de repressões contra civis, o líder norte-americano afirmou que os EUA podem intervir no Irã, caso autoridades do país persa decidam “atirar e matar violentamente manifestantes pacíficos, como é seu costume”.

Além da pressão do presidente republicano, o atual governo do Irã também lida com um outro ponto de pressão: o príncipe herdeiro do último Xá que governou o país, antes da revolução de 1979 que instalou o governo teocrata dos aiatolás, e principal nome da oposição iraniana.

Desde o início dos distúrbios no Irã, Reza Ciro Pahlavi tem classificado os atos como a “chama de uma revolução nacional”. Exilado nos EUA desde a queda do império dos país, o Xá Reza Pahlavi, o político deseja restabelecer um novo governo no Irã.

Mesmo com o caos interno, e a pressão norte-americana, o aiatolá Ali Khamenei afirma que não “vai recuar” diante dos protestos e “daqueles que causam destruição”.

Números da repressão

Em treze dias de protestos, 42 pessoas já morreram durante conflitos entre civis e autoridades iranianas. Deste número, 34 eram manifestante, incluindo cinco menores de 18 anos. As outras oito vítimas fatais integravam as forças de segurança do Irã, enviadas para as ruas com o objetivo de conter as agitações, segundo dados da Agência de Notícias de Ativistas de Direitos Humanos (Hrana).

Levantamento da Hrana, a principal organização ligada aos direitos humanos iranianos, ainda aponta que mais de 2,2 mil pessoas foram presas desde o início das manifestações.

A onda de insatisfação teve início na capital Teerã. Os protestos, porém, se espalharam rapidamente por outros regiões e setores do país, com ampla adesão de jovens iranianos. Desde então, manifestações contra o atual governo já foram registrada em ao menos 46 cidades do país.

Os números não são confirmados pelo governo do país, que durante as agitações também enfrentou um apagão na internet nacional — o que, na prática, isolou milhares de cidadãos do Irã do restante do mundo.

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