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Regime iraniano acusa EUA em meio a escalada de mortes em protestos

Acusações aos EUA, ameaça de retaliação e apagão de internet marcam protestos no Irã, que já deixaram dezenas de mortos

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1 de 1 aiatolá Ali Khamenei - Foto: Iranian Leader Press Office / Handout/Anadolu via Getty Images

A escalada de mortes durante protestos no Irã ganhou novo contorno após o líder supremo do país, aiatolá Ali Khamenei, acusar os Estados Unidos nesta sexta-feira (9/1) de instigar as manifestações, em meio ao endurecimento da repressão e a um apagão quase total da internet no país.

Nas redes sociais, mesmo com o bloqueio de internet em vigor no país, Khamenei acusou grupos de destruírem prédios públicos para satisfazer interesses externos.

“Na noite passada, em Teerã e em algumas outras cidades, um grupo de pessoas com intenções destrutivas veio e destruiu prédios que pertencem ao seu próprio país para agradar o presidente dos EUA e deixá-lo feliz”, escreveu o líder supremo.

Segundo ele, Trump teria sinalizado apoio aos manifestantes, o que alimentaria expectativas de mudança política.

O líder iraniano comparou o presidente americano a outros “líderes arrogantes”, como o ex-xá Mohammad Reza Pahlavi, deposto na Revolução Islâmica de 1979, e afirmou que todos acabariam perdendo o poder. Khamenei advertiu ainda que o povo iraniano “não tolerará os mercenários de potências estrangeiras” e concluiu dizendo esperar que “Deus traga o sentimento de vitória aos corações de todo o povo iraniano”.

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Alerta de retaliação

O braço de inteligência da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC), força de elite das Forças Armadas do Irã historicamente associada à repressão de protestos, divulgou um comunicado com alerta de “retaliação”, segundo a agência estatal Tasnim.

“Advertimos que a continuação desta situação é inaceitável, e o sangue das vítimas dos recentes atentados terroristas recai sobre os seus planejadores”, afirmou a IRGC. Segundo o texto, o povo iraniano considera “legítimo o direito de retaliar contra a disseminação da insegurança”.

A Guarda declarou ainda que a preservação das “conquistas do regime” e da “segurança da sociedade” são suas linhas vermelhas.

45 mortos

O governo iraniano sustenta que “mercenários” estariam por trás de ataques que resultaram na morte de membros das forças de segurança, enquanto organizações de direitos humanos denunciam o uso de força letal contra civis.

Segundo a ONG Iran Human Rights Network (IHRNGO), com sede na Noruega, ao menos 45 manifestantes — incluindo oito crianças — morreram desde o início dos protestos, há cerca de duas semanas. Centenas de pessoas também teriam ficado feridas. Os números, no entanto, não puderam ser verificados de forma independente devido às restrições impostas pelo regime.

Há pelo menos 24 horas, o Irã enfrenta um bloqueio quase total da internet. A medida, imposta na quinta-feira (8/1), é vista como uma tentativa de conter a mobilização popular e impedir que vídeos e relatos dos protestos circulem nas redes sociais.

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