Irã: príncipe pede nova onda de protestos em meio a apagão e mortes
Última quarta-feira (8/1) marcou dia mais sangrento desde o início dos protestos na capital do Irã, em Teerã, com ao menos 13 mortes
atualizado
Compartilhar notícia

O príncipe herdeiro exilado do Irã, Reza Pahlavi, convocou o retorno de manifestantes às ruas do país para dar continuidade à repressão do atual governo na noite desta sexta-feira (9/1).
O chamado ocorre em meio a um caos instaurado no Irã, que avança para o 13º dia de protestos, enquanto a internet sofreu um apagão, incluindo diversos sites iranianos, governamentais e agências estatais, atualmente fora do ar.
“Aqueles que estavam hesitantes, juntem-se aos seus compatriotas na noite de sexta-feira e façam a multidão crescer ainda mais para que o poder repressivo do regime se torne ainda mais fraco. Convido também os líderes de campo a tentarem conectar as diferentes rotas da multidão e aumentá-las. Sei que, apesar dos cortes na internet e nas comunicações, vocês não abandonarão as ruas”, afirmou Pahlavi no X.
A Organização Não Governamental (ONG) de direitos humanos do Irã (IHR), que tem sede na Noruega, informou que as forças de segurança do país mataram pelo menos 45 manifestantes, incluindo oito menores de 18 anos. A última quarta-feira (8/1) marcou o dia mais sangrento desde o início dos protestos na capital do país, Teerã, contabilizando pelo menos 13 mortes.
O príncipe exilado Reza Pahlavi, filho mais velho do último xá (rei) do Irã, que herdaria a hegemonia da dinastia Pahlavi, acrescentou que o atual regime do país, do aiatolá Ali Khamenei, ordenou o apagão para interromper ou dificultar os protestos. Os dados mostram que a internet iraniana sofreu uma interrupção total no início desta quinta, logo após apagões serem registrados em diversas partes.
“Apesar destes esforços do regime, eu sei que vocês não vão libertar as ruas. Tenham certeza de que a vitória é sua”, escreveu o príncipe exilado do Irã.
Até o momento, não está claro se o corte de internet foi ordenado por aiatolá Ali Khamenei, mas páginas do Telegram ligadas à capital Teerã alegam que o desligamento foi uma decisão governamental do Comando Cibernético da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC-CEC).
Onda de protestos
O protesto em Teerã ocorre em repúdio aos graves problemas econômicos enfrentados pela população e a desvalorização da moeda nacional, o rial. A economia debilitada elevou o custo de vida dos cidadãos, que saem às ruas para reprimir as atitudes do atual governo.
Os manifestos se iniciaram em 28 de dezembro, e o movimento ganhou apoio nacional após o fechamento de um mercado popular em Teerã, com a desvalorização do rial.
As sanções internacionais agravaram a crise econômica do país, que ainda se recupera da guerra contra Israel em junho do ano passado.
Comércios e bazares fecharam em Tabriz, no noroeste, e na cidade de Bandar Abbas, importante centro da indústria petrolífera no país, segundo vídeos compartilhados por ONGs e ativistas nas redes sociais.
Versão de Teerã e ameaça dos EUA
Teerã classifica os protestos como uma tentativa de desestabilizar o país. Além disso, acusa forças internacionais, como os Estados Unidos, de financiarem as agitações no Irã.
Ao passo que os protestos aumentam, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que pode intervir no país para “proteger iranianos”. Nesta quinta, o republicano voltou a dizer que o Irã pode ser atingido “muito duramente”, caso comece a matar manifestantes.
