Inscreva-se no canal MetrópolesTV no YouTube
Mundo

Presidente do Irã propõe criação de "Otan muçulmana" no Oriente Médio

Presidente do Irã defende ampliar cooperação entre países islâmicos para fortalecer o diálogo político e enfrentar ameaças externas

24/06/2026 14:56
Compartilhar notícia
Iranian Presidency/Anadolu via Getty Images
Presidente do Irã, Masoud Pezeshkian - Metrópoles

O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, defendeu nesta terça-feira (24/6) a criação de uma aliança militar regional formada por países muçulmanos do Oriente Médio.

A proposta foi apresentada durante entrevista coletiva em Islamabad, ao lado do primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif.

Segundo a agência de notícias iraniana Tasnim, Pezeshkian afirmou que as nações islâmicas precisam ampliar a cooperação econômica, cultural e militar para fortalecer a soberania e enfrentar desafios comuns.

Entre os países que poderiam integrar o bloco estariam Arábia Saudita, Catar, Egito, Turquia, Irã e Paquistão.

A proposta foi comparada a uma espécie de “Otan muçulmana”, em referência à Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), aliança militar criada em 1949 por países da Europa e da América do Norte, com o objetivo de garantir a defesa coletiva entre os membros.

De acordo com Pezeshkian, a liderança do grupo poderia ficar a cargo do Paquistão, considerado a única potência nuclear do mundo islâmico.

Para o presidente iraniano, uma estrutura regional de defesa permitiria aos países do Oriente Médio reduzir a dependência de potências externas e fortalecer mecanismos próprios de segurança.

“O desenvolvimento econômico, o fortalecimento dos laços culturais e a proteção da soberania dos países muçulmanos exigem uma cooperação mais profunda entre as nações da região”, defendeu.

Cooperação regional e estabilidade

Durante a entrevista, o presidente iraniano ressaltou que Teerã pretende ampliar sua colaboração com os países islâmicos para promover maior entendimento político e criar mecanismos conjuntos de resposta a ameaças externas.

Segundo ele, a estabilidade duradoura do Oriente Médio dependerá da capacidade dos próprios países da região de construir soluções para seus conflitos e desafios de segurança.

A declaração ocorre em um momento de reorganização diplomática no Oriente Médio, marcado pela aproximação entre rivais históricos e pelo esforço de governos regionais para reduzir tensões que há décadas alimentam conflitos armados.

Paquistão como mediador da guerra

Pezeshkian também destacou a atuação do governo paquistanês nas negociações de paz entre Irã e Estados Unidos nos últimos meses. Segundo ele, Islamabad desempenhou papel importante na mediação entre as partes e contribuiu para a redução das tensões regionais.

O presidente iraniano afirmou que os esforços diplomáticos do Paquistão foram fundamentais para a construção de canais de diálogo que resultaram na assinatura de um memorando inicial de entendimento entre os países.

“Os esforços incansáveis do Paquistão para promover a paz na região estão enraizados em sua rica cultura”, declarou.

Durante sua visita ao país, Pezeshkian se reuniu com importantes lideranças paquistanesas, incluindo o presidente Asif Ali Zardari, o primeiro-ministro Shehbaz Sharif e o chefe do Exército, Asim Munir.

Aproximação entre Teerã e Islamabad

De acordo com o líder iraniano, os encontros resultaram em novos compromissos para aprofundar a cooperação bilateral em áreas como comércio, segurança, energia e desenvolvimento regional.

A proposta de uma aliança militar islâmica ainda não possui estrutura formal nem cronograma de implementação, mas sinaliza a intenção do Irã de fortalecer a integração entre os países muçulmanos e ampliar sua influência diplomática em um cenário regional cada vez mais estratégico.

Caso avance, a iniciativa poderá alterar o equilíbrio geopolítico do Oriente Médio e criar uma nova plataforma de cooperação militar entre algumas das principais potências islâmicas da região.