Premiê do Paquistão diz que concluiu texto final de acordo EUA-Irã
Declaração ocorre após sinais contraditórios sobre o avanço das negociações entre os Estados Unidos e o Irã

O primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, afirmou nesta sexta-feira (12/6) que o texto final de um acordo de paz entre os Estados Unidos e o Irã foi concluído após negociações entre as partes.
“Podemos confirmar que um texto final, acordado por ambas as partes, do acordo de paz, foi alcançado. E o Paquistão está agora trabalhando em estreita colaboração com os dois lados para finalizar os próximos passos”, escreveu Sharif na rede social X.
O Paquistão tem atuado como um dos interlocutores nas negociações, buscando facilitar o diálogo entre os dois países e evitar um agravamento do conflito no Oriente Médio. A expectativa é que novas informações sobre o acordo sejam divulgadas nos próximos dias.
A declaração ocorre em meio a sinais de avanço nas negociações para encerrar a crise entre Washington e Teerã.
Também nesta sexta, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou que o memorando de entendimento com os Estados Unidos “nunca esteve tão próximo”, embora não tenha detalhado os termos em discussão.
“O Memorando de Entendimento de Islamabad nunca esteve tão próximo. […] De acordo com nossa abordagem responsável e transparente, todos os detalhes serão compartilhados com o público no momento apropriado”, publicou o chanceler iraniano no X.
Apesar das manifestações otimistas, ainda há dúvidas sobre o estágio das negociações. Nessa quinta-feira (11/6), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, chegou a ameaçar bombardear o Irã “com muita força”, mas recuou horas.
Segundo ele, os pontos finais das discussões para o encerramento do conflito, “tanto em conceito quanto em detalhes”, haviam sido aprovados por todas as partes envolvidas.
A versão, no entanto, foi contestada por veículos iranianos. Pouco depois das declarações de Trump, a agência Fars, ligada à Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC), informou que Teerã ainda não havia aprovado um texto de acordo com os Estados Unidos.
A divergência entre as declarações públicas evidencia que, embora haja sinais de progresso nas negociações, ainda existem questionamentos sobre a aprovação formal do documento e os próximos passos para a implementação do entendimento entre os dois países.
Trump critica autoridades iranianas
Donald Trump voltou a elevar o tom contra o governo iraniano e colocou em dúvida a possibilidade de um acordo iminente para encerrar o conflito.
Em publicação nas redes sociais, o presidente dos Estados Unidos classificou as autoridades de Teerã como “pessoas muito desonrosas para se negociar” e afirmou que não existe “negociação de boa-fé” por parte do país.
As declarações contrastam com as feitas no dia anterior, quando o republicano afirmou que as negociações estavam avançadas e que um entendimento entre as partes estava próximo.
Trump também acusou o Irã de divulgar informações falsas sobre os termos das conversas e criticou veículos de comunicação norte-americanos por reproduzirem o que chamou de versões distorcidas do acordo.
“Os termos que o Irã vazou para a mídia fake news não têm nada a ver com os termos que foram acordados por escrito. O que eles disseram, incluindo sua declaração fraca e patética sobre ter um acordo, não tem nenhuma relação com a verdade”, escreveu.
O presidente não especificou quais pontos estariam incorretos nem citou os veículos de imprensa aos quais se referia. As novas declarações aumentam as incertezas sobre o futuro das negociações, um dia após Trump afirmar que os ataques planejados contra o Irã haviam sido suspensos em razão dos avanços diplomáticos.


