Exclusivo: veja declaração de Bolsonaro no Muro das Lamentações

Mais cedo, o presidente comentou decisão da Autoridade Palestina em convocar embaixador no Brasil: "É direito deles reclamar"

atualizado 01/04/2019 14:24

MENAHEM KAHANA/ASSOCIATED PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO

Enviado especial a Jerusalém (Israel) – O presidente Jair Bolsonaro (PSL) disse ter sentido a alma ser tocada pela fé durante visita ao Muro das Lamentações, em Israel. O Metrópoles conseguiu, com exclusividade, assistir a essa última afirmação antes de deixar o local, nesta segunda-feira (1º/4).

Bolsonaro agradeceu por estar em um lugar sagrado e por ter ouvido uma oração que pede a paz no mundo. “Senti minha alma ser tocada pela fé, essa é a base de tudo para trazer progresso para os nossos povos”, disse ao premiê Benjamin Netanyahu.

“Esta é a segunda vez que venho aqui, a primeira como chefe de Estado, e quero levar a paz que encontrei aqui. Agradeço o tratamento carinhoso e a recepção bastante calorosa”, concluiu. Bolsonaro chamou, mais uma vez, o primeiro-ministro israelense de irmão.

Em uma tarde chuvosa, ele caminhou pelo local, considerado um dos mais sagrados do judaísmo. A visita ao lado de Netanyahu é vista com restrições pela comunidade internacional, visto que o local é partilhado oficialmente entre judeus e palestinos. Ao se apresentar ao lado do líder judaico, o presidente brasileiro estaria ignorando a partilha do território. Apenas como comparação, o presidente norte-americano, Donald Trump, visitou o local sozinho, mesmo em visita oficial.

Bolsonaro estava com os ministros da Ciência e Tecnologia, Marcos Pontes, e das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, além do assessor especial Felipe Martins e dos quatro parlamentares da comitiva, entre eles o senador Flávio Bolsonaro (PSL), filho do presidente. Ele acenou aos jornalistas, mas não parou para falar com a imprensa.

O muro, que fica entre o antigo templo de Herodes, do qual restou apenas a construção, divide a área dos judeus da chamada Esplanada das Mesquitas. Do lado muçulmano, essas mesquitas são igualmente sagradas, pois de uma delas Maomé teria partido para o céu.

Escritório de negócios
Nesse domingo, o presidente Bolsonaro anunciou a abertura de um escritório de negócios do Brasil em Jerusalém. A medida desagradou o lado palestino e frustou os israelenses, que aguardam confirmação do governo brasileiro sobre a mudança da embaixada da capital internacional Tel Aviv para Jerusalém, a capital política.

Durante compromissos da agenda oficial, Bolsonaro se posicionou sobre a decisão do governo palestino de chamar de volta o embaixador no Brasil ao país. De acordo com o chefe do Executivo, o governo não abre mão de ter autonomia nas decisões externas. “É direito deles reclamar”, pontuou.

O presidente chegou a Jerusalém nesse domingo (31/3) e segue uma intensa agenda de compromissos com o objetivo de estreitar os laços entre Brasil e Israel. No mesmo dia, cinco acordos de cooperação foram assinados por representantes dos dois governos.

 

 

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