“Nós estamos fazendo história juntos”, afirma Netanyahu a Bolsonaro

O presidente brasileiro desembarcou por volta das 10h no horário local (4h em Brasília) e foi recebido pelo primeiro-ministro no aeroporto

atualizado 31/03/2019 11:26

Alan Santos/Presidência da República

Enviado especial a Jerusalém (Israel) – O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, disse, no discurso de abertura da visita oficial do presidente Jair Bolsonaro (PSL), ao país que, juntos, os dois estão construindo uma nova etapa nas relações entre as duas nações.

“Meu amigo presidente, nós estamos fazendo história juntos. Quando você assumiu a presidência no último janeiro, nós abrimos uma nova era nas relações Brasil-Israel”, disse, em hebraico, para uma platéia de autoridades dos dois países, militares e jornalistas.

“Esta é a maior delegação brasileira que já veio a Israel e, nos próximos dias, assinaremos diversos acordos entre nós”, prosseguiu.

Na sequência, o político israelense destacou que ele e Bolsonaro farão juntos a visita ao Muro das Lamentações, um dos lugares mais sagrados para os judeus. Diferentemente do presidente norte-americano, Donald Trump, que foi ao local de forma privada, Bolsonaro estará lá, oficialmente, como presidente.

A decisão é inédita. O muro fica na região palestina de Jerusalém e, portanto, estaria fora dos domínios israelenses.

Admiração mútua
A fala de Netanyahu, assim como a de Bolsonaro, destacou os laços de amizade entre ambos e uma tentativa de aproximar os países. Os dois se trataram o tempo todo por “irmão” ou “amigo”. “Eu estou seguro que tal como eu vi grande admiração por Israel e por mim no Brasil, você encontrará grande amiseração pelo Brasil e pelo senhor aqui em Israel”, afirmou.

Netanyahu, assim como Bolsonaro, que trouxe o senador Flávio Bolsonaro a Israel, levou o filho na visita ao Brasil e disse que o garoto é fã de futebol, e emendou:

“Eu insisto que Pelé foi o melhor jogador de futebol de todos os tempos. Meu filho Avner acha que ele era um ótimo jogador, mas tem outros candidatos. Nós vamos discutir isso nos próximos dias e estou certo que, tal como nos outros assuntos, chegaremos a um consenso”, brincou.

Agenda
No dia seguinte à chegada, segunda-feira (1º/4), o presidente irá até a unidade de contraterrorismo da polícia israelense. O filho mais velho do presidente, senador Flávio Bolsonaro (PSL), que integra a comitiva brasileira, deve estar presente nesses compromissos.

Após a entrega das medalhas para as equipes que atuaram em Brumadinho, o presidente vai visitar um dos locais mais sagrados do judaísmo, o Muro das Lamentações. A construção é resquício do Templo de Herodes, o primeiro construído após a fuga dos judeus do cativeiro da Babilônia.

Agenda econômica
O terceiro dia da viagem será dedicado à agenda econômica. Bolsonaro abre as atividades com um café da manhã junto a empresários israelo-brasileiros que tocam empresas de tecnologia. Depois, segue para encontros com empresários e industriais, tanto locais quanto brasileiros, com quem almoça.

Na parte da tarde, está prevista uma visita ao Museu do Holocausto, em memória aos 6 milhões de judeus mortos vítimas do nazismo. No fim do dia, cumprindo um rito tradicional aos visitantes de Israel, Bolsonaro vai plantar um pé de oliveira, que dá origem ao azeite de oliva, no Bosque das Nações.

No último dia, quarta-feira (3), Bolsonaro vai pela manhã à cidade de Ra’anana, a 80 km de Jerusalém, onde terá encontro com brasileiros que moram por lá. Depois, ele segue para Tel Aviv, de onde retorna para o Brasil.

Relações comerciais
A relação comercial entre Brasil e Israel é pequena. O país do Oriente Médio é apenas o 65º maior importador de produtos brasileiros e, na visão de Bruno Huberman, pesquisador em economia e política israelense do Programa San Tiago Dantas, não há tanto espaço para ampliar as exportações para Israel.

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