Em Israel, Bolsonaro relembra Ustra e diz que nazismo era de esquerda

O presidente disse, ainda, que ao voltar ao Brasil pretende retomar as articulações para a reforma da Previdência logo na quinta-feira

atualizado 02/04/2019 14:55

Igo Estrela/Metrópoles

Enviado especial a Jerusalém (Israel) – Em encontro com integrantes da comunidade brasileira que vive na cidade de Raanana, a 30 km de Tel Aviv, em Israel, o presidente Jair Bolsonaro (PSL) relembrou o voto polêmico no impeachment de Dilma Rousseff. Na época, ele homenageou um torturador da ditadura militar, o coronel Brilhante Ustra, e fez coro ao ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, ao dizer que o nazismo foi um movimento de esquerda.

Em discurso de aproximadamente 10 minutos, o presidente citou uma passagem bíblica que ele repetiu diversas vezes ao longo da viagem – “conhecei a verdade e ela vos libertará” – para explicar o que disse em 2016, no impeachment da ex-presidente.

“As palavras ali proferidas por mim tiveram impacto dentro e fora do Brasil por alguns dias. Mas eram palavras que estavam sedimentadas em João 8:32. A verdade tinha que ser conhecida”, disse. Questionado por jornalistas, ao final do evento, ele não quis falar sobre o assunto.

Na votação do impeachment, Bolsonaro falou: “Pela família e pela inocência das crianças em sala de aula, que o PT nunca teve, contra o comunismo, pela nossa liberdade, contra o Foro de São Paulo, pela memória do coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, o pavor de Dilma Rousseff, pelas nossas Forças Armadas, por um Brasil acima de tudo e Deus acima de todos, o meu voto é sim”.

Ao ser questionado se concorda com a opinião defendida por Ernesto Araújo recentemente, de que o nazismo seria uma ideologia de esquerda, o presidente concordou. “Não há dúvida. Partido Socialista… como é que é? Da Alemanha… Partido Nacional Socialista da Alemanha. Não há dúvida [que era de esquerda]”, disse.  

Pauta econômica 
Após três dias fora do Brasil, o presidente disse que, ao chegar, pretende retomar o debate sobre a pauta econômica, sobretudo a reforma da Previdência. “A gente vai chegar na manhã de quinta (4/4), vou tomar um banho e vou ao Planalto”, afirmou, ao destacar que já tem uma série de conversas marcadas com parlamentares.

Segundo ele, a equipe econômica trabalha em cima da ideia de reduzir impostos em uma tentativa de reanimar a economia. “Não tem data [para implementar]. A exemplo do que [Donald] Trump fez nos Estados Unidos para reduzir impostos. Ele catapultou a economia. Essa é a intenção da equipe econômica”, disse.

Entre as medidas em estudo pela equipe de Paulo Guedes, ministro da Economia, Bolsonaro adiantou que pensa em reduzir a burocracia para abertura de novas empresas. “Queremos melhorar o ambiente de negócios. A equipe econômica tem tomado providências nesse sentido”, disse.

Mais cedo, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, fez uma apresentação sobre a evolução econômica de Israel nas últimas duas décadas e destacou que a melhora no ambiente propiciou o aparecimento de empresas de tecnologia no país.

“O mais importante foi mudar o ambiente de negócios, antes de mudar a tecnologia. Sei que meu amigo Jair Bolsonaro está fazendo exatamente o mesmo [no Brasil]”, disse. “O Brasil tem um baita potencial, nós queremos ser parceiros preferenciais. Não temos limitações do que podemos dividir com vocês”, salientou.

Prestes a voltar ao Brasil, o presidente avaliou que a viagem a Israel foi positiva. “A viagem foi, no meu entender, muito proveitosa. Acordos, parcerias, protocolo de intenção verbal, e acredito que Israel e Brasil se complementam”, disse.

O presidente informou, ainda, que, além da viagem que fará à China no segundo semestre, vai ao Japão. Ele pretende visitar um país árabe em breve, mas informou que não sabe qual será.

Ponto de inflexão
O presidente Jair Bolsonaro afirmou que o governo mudou a forma de estruturar o poder no Brasil. Segundo ele, foi rompida a lógica das indicações políticas para ocupação de cargos no primeiro escalão do governo. “Formamos um ministério nunca visto na história do Brasil. Com todo respeito ao Parlamento, onde passei 28 anos, não houve indicação política”, disse.

 

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