Bolsonaro na China: tom moderado e parceria com país comunista

Presidente colocou na bandeja o Brasil para os chineses. Meta é escancarar as portas brasileiras à segunda potência econômica mundial

atualizado 25/10/2019 23:49

Isac Nóbrega/PR

Enviada especial a Pequim – Na ânsia para fechar um ano de governo com avanço nas pautas econômicas, o presidente da República, Jair Bolsonaro (PSL), chegou a Pequim, na China, determinado em concluir negociações internacionais. Mesmo que, para isso, tivesse que causar um mal-estar com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ou com grande parte de seu eleitorado, que critica o governo comunista do presidente chinês Xi Jinping.

Mas não havia uma maneira diferente para seguir. Bolsonaro decidiu arriscar, adotou um tom moderado para falar sobre o regime político do país e colocou, quase literalmente, na bandeja o Brasil para os chineses. “É um mar de oportunidades“, chegou a dizer a representantes de estatais.

Acompanhantes do presidente comentavam entre si sobre a “surpresa” positiva dele com a China, “apesar dos pesares”, e classificaram a viagem como “produtiva” para encaminhar negociações. Para isso, Bolsonaro precisou tomar certa distância do incêndio no PSL que ocorria no Brasil e chegou a ameaçar ser o primeiro presidente brasileiro a não ter um partido político.

Não fora a busca para impulsionar o crescimento brasileiro, o momento parecia ser o mais propício para garantir segurança a investidores. A reforma da Previdência foi aprovada no Congresso Nacional pouco antes de ele aterrissar na China. As mudanças nas regras de aposentadoria dariam mais previsibilidade aos empresários – ao menos foi assim que o governo vendeu a imagem do “novo Brasil”.

De olho no PIB do ano que vem, a meta de Bolsonaro era fugir da rota das commodities e mostrar as possibilidades de produtos brasileiros na agricultura e nos setores da infraestrutura nacional. Após o incêndio na Amazônia e o risco do agronegócio perder exportações, a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, chegou antes a Pequim para negociar acordos internacionais relacionados à carne bovina. Um ato, inclusive, foi assinado, mas referente ao alimento enlatado.

Apesar de uma comitiva ampla, com seis ministros, ficou de fora da viagem Tarcisio Freitas, titular da pasta de Infraestrutura. Mas o ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, que coordena o Programa de Parceira de Investimentos (PPI), participou de reuniões para introduzir as rodovias e portos do país nos planos chineses.

Outro ponto repetido não apenas pelos ministros, mas por Bolsonaro, foi o convite para estatais chinesas competirem no megaleilão do petróleo, advindo da cessão onerosa do pré-sal. A visita veio a calhar, uma vez que o leilão está marcado para novembro e promete arrecadar aos cofres públicos ao menos R$ 110 bilhões.

Para reunir todo o esforço do presidente brasileiro, o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, anunciou a isenção de visto para chineses entrarem no Brasil. A medida passará a valer tanto para turistas quanto para negócios. Foi um meio de desburocratizar o processo e, por que não, escancarar as portas brasileiras à segunda potência econômica mundial.

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