Após acordo de livre comércio, Bolsonaro muda tom com líderes europeus

Presidente usou fala mais amena ao explicar divergências sobre questões ambientais. Brasil foi alvo de crítica de Angela Merkel

Alan Santos/Presidência da RepúblicaAlan Santos/Presidência da República

atualizado 29/06/2019 13:50

Enviada especial a Osaka (Japão) – O presidente Jair Bolsonaro (PSL) mudou o tom ao falar de dois líderes europeus — a chanceler alemã, Angela Merkel, e o presidente da França, Emmanuel Macron — depois da assinatura do acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia, divulgado nessa sexta-feira (28/06/2019). Em entrevista neste sábado (29/06/2019), o presidente usou um tom mais ameno ao falar de divergências sobre questões ambientais.

Dias antes, ele reagira com muita irritação ao comentar as críticas dos dois dirigentes sobre o desmatamento no país e a postura do Brasil em relação ao Acordo de Paris sobre o clima. Em uma live, Bolsonaro disse que não foi ao encontro de cúpula do G20, em Osaka, no Japão, para levar um “pito” de ninguém sobre assuntos internos.

Bolsonaro disse que teve conversas cordiais e que falou com os dois líderes sobre “a psicose ambientalista” que existe com relação ao Brasil. Segundo explicou, “psicose ambientalista é achar que o meio ambiente está acima de tudo”.

“Nós temos como conviver com o meio ambiente casado com o progresso”, afirmou. Mesmo usando um tom mais diplomático para se referir aos europeus, Bolsonaro não deixou de lado a ironia. Disse que quer conhecer o plano de reflorestamento da Alemanha, uma vez que o país quase não tem mais florestas. Tal como já havia feito com Macron, Bolsonaro convidou Angela Merkel para conhecer a Amazônia e ver “que não existe esse desmatamento tão propalado”.

O presidente reafirmou o compromisso de manter o Brasil no Acordo de Paris sobre o clima e duvidou da capacidade da Alemanha de cumprir as metas do acordo, pois usa muitos combustíveis fósseis, como o carvão. “Falei com a Merkel, a Alemanha não vai cumprir o que está no acordo porque continua com energia fóssil, usa muito carvão e nós temos quase nada no Brasil de carvão. Então, se alguém tem que dar exemplo em proteção ambiental é o Brasil”, afirmou o presidente.

Ao ser questionado por uma jornalista alemã se considerava que líderes europeus tratavam o Brasil com arrogância, Bolsonaro respondeu: “Não é arrogância. Foram acostumados a nos tratar como colonizadores. Faltava alguém que, educadamente, com conhecimento e com dados, mostrasse que o Brasil não é isso, que o Brasil é um país que merece e vai ter respeito. Vai ser respeitado enquanto eu for presidente”. Bolsonaro considera que os líderes estavam mal informados “porque muitas vezes se informam com matérias de ONGs” e disse que não pode aceitar a “difamação do Brasil”.

Os encontros com Merkel e Macron foram informais, nos bastidores do G20, e duraram cerca de 40 minutos no total. Dias antes do começo da reunião de cúpula, Angela Merkel apontou estar muito preocupada com o desmatamento no Brasil e que gostaria de ter uma conversa “clara” com o presidente brasileiro sobre o assunto.

Emmanuel Macron informou que, se o Brasil saísse do Acordo de Paris sobre o clima, a França não assinaria o tratado de livre comércio entre Mercosul e União Europeia. No último dia da reunião em Osaka, Bolsonaro posou para foto ao lado de Angela Merkel e de Macron.

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