Bolsonaro rebate críticas de Angela Merkel e pede respeito ao Brasil

O presidente desembarcou em Osaka, no Japão, onde participa de reunião do G20. Alemã criticou as políticas ambientais brasileiras

Alan Santos/Presidência da RepúblicaAlan Santos/Presidência da República

atualizado 27/06/2019 13:47

Enviada especial a Osaka (Japão) – Ao chegar ao hotel Saint Regis, onde ficará hospedado em Osaka, no Japão, às 15h (hora local) desta quinta-feira (27/06/2019), o presidente Jair Bolsonaro (PSL) reagiu com irritação ao ser questionado sobre as declarações da chanceler alemã, Angela Merkel, sobre o desmatamento no Brasil, situação que ela disse ver com “preocupação”. O chefe do Executivo disse que a Alemanha tem muito a aprender com o Brasil nesse setor e que ele não foi à reunião do G20 para ser “advertido” por outros países.

“Nós temos exemplo para dar para Alemanha sobre meio ambiente. A indústria deles continua sendo fóssil, em grande parte de carvão, e a nossa não. Então, eles têm a aprender muito conosco. O presidente do Brasil que está aqui não é como alguns anteriores, [que] vieram aqui para ser advertidos por outros países. A situação aqui é de respeito para com o Brasil”, rebateu. Bolsonaro declarou ainda que o país não aceitará esse tipo de tratamento, “como no passado”. Ele, no entanto, não explicou sobre quais presidentes se referia.

Veja imagens do presidente no Japão:

 

Já era esperado que Bolsonaro fosse cobrado a respeito das ações do governo na área ambiental na cúpula do G20, o grupo das maiores economias do mundo, que acontecerá nesta sexta-feira (28/06/2019) e sábado (29/06/2019), em Osaka. Muitas medidas do governo têm sido vistas por países da União Europeia como um enfraquecimento da proteção ambiental. As cobranças, porém, começaram antes mesmo do encontro. Angela Merkel deu as declarações para um grupo de deputados do país. Disse que, se tiver oportunidade, pretende ter uma conversa “clara” com o presidente brasileiro durante a cúpula do G20.

Bolsonaro falou rapidamente à imprensa e encerrou a entrevista antes de ser questionado sobre o caso do segundo-sargento da Aeronáutica, Manoel Silva Rodrigues, 38, preso na Espanha nessa terça-feira (25/06/2019) ao ser flagrado com 39 quilos de cocaína. Rodrigues estava no avião do chamado “escalão avançado” da comitiva presidencial, que segue algumas horas à frente da aeronave onde viaja o presidente da República. Segundo o jornal espanhol El País, a droga foi detectada quando as bagagens da tripulação passaram pelo controle da alfândega espanhola, em Sevilha.

Apenas o porta-voz da presidência, Otávio do Rêgo Barros, falou sobre o assunto. Segundo ele, o ministério da Defesa, por meio do comando da Força Aérea, está tomando “todas as providências” para cooperar com a investigação da polícia espanhola. “O presidente [Bolsonaro], o Ministério da Defesa e o comando da Força Aérea desejam que o mais rápido possível isso seja aclarado e a pessoa seja devidamente punida”, afirmou. Rêgo Barros disse ainda que a mudança da escala do avião presidencial de Sevilha para Lisboa foi uma decisão “técnica” do Ministério da Defesa e do comando da Força Aérea, sem estabelecer uma relação com o caso do sargento preso.

As autoridades encontraram na mala de mão do segundo-sargento 37 tijolos de cocaína, com pouco mais de um quilo cada um, segundo o jornal espanhol El País. A prisão de Rodrigues cria um grande constrangimento ao presidente Jair Bolsonaro, que tem feito do combate à criminalidade uma das principais bandeiras. Nenhuma autoridade do governo brasileiro, até agora, deu explicações ou forneceu detalhes sobre como uma falha de tamanha gravidade ocorreu, sem ser detectada pelas autoridades encarregadas da segurança do presidente, especialmente o Gabinete de Segurança Institucional, comandado pelo general Augusto Heleno, e a Agência Brasileira de Inteligência.

Ao comentar o caso, o vice-presidente Hamilton Mourão aumentou a dose de constrangimento ao insinuar que o militar não agiu sozinho. Em entrevista à Rádio Gaúcha nessa quarta-feira (26/06/2019), ele afirmou que Rodrigues é uma “mula qualificada”. “É óbvio que, pela quantidade de droga que ele estava levando, que não comprou na esquina e levou, né? Ele estava trabalhando como mula”, apontou.

Antes da viagem, Bolsonaro publicou no twitter que a conduta do militar é “inaceitável” e que exigiu “investigação imediata e punição severa ao responsável”. “Não toleraremos tamanho desrespeito ao nosso país”, escreveu o presidente. O Ministério da Defesa abriu inquérito para investigar o caso e disse que vai colaborar com a investigação das autoridades espanholas. O Comando Militar da Aeronáutica instaurou inquérito policial militar. O segundo-sargento está preso no Comando da Guarda Civil Espanhola, sem direito à fiança. As autoridades investigam qual seria o destino final da cocaína.

Segundo levantamento do jornal Folha de São Paulo, o segundo sargento Manoel Silva Rodrigues, que atuava como comissário de bordo, fez 29 viagens dentro do Brasil e ao exterior em comitivas de três presidentes: Dilma Rousseff, Michel Temer e agora Bolsonaro. Os dados do Portal da Transparência, da Presidência da República, mostram que, em fevereiro, Rodrigues acompanhou o presidente na rota de Brasília a São Paulo. Na ocasião, o mandatário do país foi a capital paulista para exames médicos. O segundo-sargento também fez viagens a Porto Alegre, Recife e esteve na comitiva do ex-presidente Michel Temer em Zurique, na Suíça, em 2018.

No Congresso, senadores e deputados protocolaram requerimentos para ouvir o ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), general Augusto Heleno, para prestar esclarecimentos. Este não é o primeiro caso de militares flagrados fazendo tráfico de drogas. Três foram expulsos da Aeronáutica por envolvimento no transporte de drogas num avião da FAB, em 1999, que se dirigia à França, com escala nas Ilhas Canárias.

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