Parlamento do Irã diz que acordo com EUA ainda está distante
Presidente do parlamento iraniano condiciona avanço a garantias de que novos ataques não ocorrerão
atualizado
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O presidente do Parlamento do Irã, Mohammad Bagher Ghalibaf, afirmou neste sábado (18/4) que, apesar de avanços nas negociações com os Estados Unidos, ainda há uma “distância significativa” a ser percorrida até um acordo.
Em entrevista exibida pela TV estatal iraniana, o parlamentar defendeu que Teerã precisa obter garantias de segurança antes de avançar nas tratativas. “Devemos obter garantias de que os EUA ou a ‘entidade sionista’ [em referência a Israel] não iniciarão uma guerra contra o Irã novamente”, disse.
Segundo Ghalibaf, as negociações evoluíram a ponto de permitir uma compreensão mais pragmática entre as delegações. Ainda assim, persistem divergências relevantes.
O líder do parlamento iraniano também criticou a postura americana ao longo das tratativas. De acordo com ele, os EUA não atingiram seus objetivos por meio de prazos e pressões, o que teria levado Washington a recorrer a intermediários para manter o diálogo.
Cessar-fogo frágil
As declarações ocorrem em meio a um cenário de tensão no Oriente Médio, marcado por negociações frágeis e impasses sobre garantias de segurança e interesses estratégicos.
À TV estatal, Ghalibaf afirmou que o Irã aceitou o cessar-fogo temporário como forma de pressionar os EUA a atender suas demandas. Na avaliação do parlamentar, o país saiu fortalecido do confronto recente.
“Trump não alcançou seu objetivo de mudar o regime e destruir nossas capacidades ofensivas e de mísseis, e o Irã não é a Venezuela”, declarou, em referência ao presidente Donald Trump.
A trégua entre Irã e Estados Unidos, inicialmente estabelecida por cerca de duas semanas, tem prazo previsto para terminar em 22 de abril. Nos bastidores, mediadores tentam prorrogar o cessar-fogo para permitir avanço nas negociações, mas há resistência por parte de Washington.
