Paraguai: Justiça decreta prisão preventiva do ex-presidente Santiago Peña
Peña foi preso na noite dessa sexta, após o Congresso paraguaio finalizar o processo de impeachment diante da crise bancária no país

A Justiça do Paraguai decretou, neste sábado (7/11), a prisão preventiva do ex-presidente Santiago Peña. Ele foi alvo de um processo de impeachment aprovado pelo Congresso nessa sexta-feira (6/11) e é acusado de fraude na alocação de recursos públicos e interferência na fiscalização sobre o Ueno Bank.
A determinação da Justiça para a prisão preventiva acatou um pedido do Ministério Público (MP) do Paraguai realizado neste sábado. A promotoria também indiciou o ex-presidente do Banco Central Carlos Carvallo e pediu a manutenção da prisão dos dois.
Peña foi preso na noite da sexta-feira (6/11). Até a decisão deste sábado, a ordem era para o cumprimento de prisão domiciliar, medida desencadeada logo após o Congresso paraguaio finalizar o processo de impeachment.
A prisão preventiva de Peña será cumprida seguindo o Regimento de Escolta Presidencial. Na prática, isto significa que o ex-presidente ficará em uma instalação militar de elite em Assunção.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesJuiz argumentou risco de fuga
A decisão pela prisão preventiva foi tomada pelo juiz de garantias especializado em Delitos Econômicos Humberto Otazú. O magistrado considerou que havia risco de fuga de Peña e de obstrução de justiça.
“É preciso garantir a permanência dele no país; por isso, o juízo determinou a decretação da prisão preventiva: ele ficará detido no Regimento de Escolta Presidencial”, escreveu Otazú na sentença.
O advogado Ricardo Preda, representante legal de Peña, rechaçou as hipóteses de fuga e obstrução de justiça, mas considerou o regime indicado para o cumprimento da prisão como coerente.
“A prisão preventiva é a medida mais extrema dentre as medidas cautelares. Parece-me adequado que, ao acolher o pedido do Ministério Público, o juízo tenha determinado que o local para o cumprimento da medida seja o Regimento de Escolta Presidencial”, afirmou Preda.
A crise
A crise no Paraguai foi causada pela falência do Banco Ueno, o maior banco digital do país. A situação levou Peña a renunciar ao cargo de presidente, pouco antes da votação sobre o impeachment.
A falência da instituição financeira afetou milhares de pessoas que ficaram sem acesso ao dinheiro investido. O impacto na população aumentar nos próximos dias quando é esperada uma crise nos serviços públicos do país.
O banco Ueno abrigava dinheiro do Instituto de Seguridade Social (previdência paraguaia), da Administração Nacional de Eletricidade (Ande), da empresa estatal de fornecimento de energia, e do Corpo de Bombeiros Voluntários do Paraguai, entre outros.
