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Mundo

Paraguai: MP indicia e pede manutenção das prisões de Peña e ex-chefe do BC

Promotoria acusa ex-presidente do Paraguai de interferência na fiscalização em benefício do Ueno Bank

07/11/2026 16:31
Reprodução/X
Santiago Peña presidente do Paraguai

O Ministério Público do Paraguai indiciou, neste sábado (07/11), o ex-presidente Santiago Peña por fraude na alocação de recursos públicos e interferência na fiscalização sobre o Ueno Bank. A promotoria também indiciou o ex-presidente do Banco Central Carlos Carvallo e pediu a manutenção da prisão dos dois.

Peña foi preso na noite na sexta-feira (6/11), após o Congresso paraguaio finalizar o processo de impeachment diante da crise bancária que assola o país. Já Carvallo se entregou à polícia em Assunção. Na manhã deste sábado, o ex-chefe do Executivo prestou depoimento na sede do MP.

Em nota, a procuradoria diz que Peña é acusado de atuar em benefício próprio relacionado ao Ueno Bank enquanto estava no cargo. Um fundo ligado ao ex-presidente era um dos detentores da instituição financeira que foi alvo de uma intervenção do BC e fechou as portas no início do mês.

Peña também teria intervido na fiscalização do banco pelas autoridades reguladoras e influenciado o aporte de previdências públicas à instituição financeira que poderiam somar US$ 850 milhões. Já Carlos Carvallo teria produzido documentos falsos sobre o estado do Ueno Bank e atuado em benefício próprio, já que ele também é ligado ao banco digital.

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Entre as medidas, a promotoria pediu que a prisão de ambos seja convertida em preventiva, como também pediu o levantamento de informações bancárias, fiscais, patrimoniais e societárias de Peña e de Carvallo.

Crise no Paraguai 

O Banco Central do Paraguai decidiu pela liquidação do Ueno Bank, o maior banco digital do país, na última terça-feira (3/11), por considerar a instituição insolvente — quando não existem fundos para honrar compromissos financeiros.

A instituição financeira atendia quase 40% da população paraguaia e, em meio à intervenção do BC, o acesso aos recursos no banco foi suspenso e gerou uma onda de protestos nas ruas do país. Em meio à crise, o governo anunciou que o BC iria restituir clientes lesados.

A situação bancária levou a Justiça a abrir uma investigação criminal contra administradores do banco, com a prisão de ex-dirigentes, incluindo o ex-CEO, Miguel Vázquez- apelidado de “Vorcaro do Paraguai”, pela semelhança com o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.

O Ministério Público passou a investigar Santiago Peña após denúncia apresentada por parlamentares da oposição. Eles acusaram Peña de enriquecimento ilícito, lavagem de dinheiro, corrupção e fraude administrativa.

Eleito presidente em 2023, o político de 47 anos foi acionista de uma empresa ligada ao Ueno Bank até março de 2025. Depois de o político assumir o governo do Paraguai, a instituição financeira recebeu grandes volumes de depósitos vindos de órgãos públicos na casa dos US$ 850 milhões (cerca de R$ 4,5 bilhões).

Após a liquidação do banco e diante da crise, a base governista de Peña também passou a apoiar o pedido impeachment. Antes da votação, Peña se adiantou e renunciou ao cargo.

“A história se encarregará de julgar e colocar na sua devida dimensão os acontecimentos que hoje nos toca viver. Tomei a decisão de apresentar minha renúncia à Presidência da República. Faço isso pensando na estabilidade do nosso país, na paz social e na necessidade de preservar as nossas instituições democráticas”, afirmou.

Com a saída de Peña, o vice-presidente Pedro Alliana assumiu o cargo e foi empossado na sexta-feira.