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Mundo

Crise bancária que derrubou presidente afeta serviços públicos no Paraguai

Além de 2,9 milhões pessoas físicas clientes no Paraguai, Banco Ueno abrigava recursos de previdência social, eletricidade e dos bombeiros

07/11/2026 04:00
Reprodução/Ueno Bank
Banco Ueno

A crise no Paraguai causada pela falência do Banco Ueno, o maior banco digital do país, derrubou o presidente Santiago Peña e afetou milhares de pessoas que ficaram sem acesso ao dinheiro investido. O impacto na população pode ficar ainda maior nos próximos dias, com o aumento dos reflexos da crise nos serviços públicos do país.

Segundo dados do governo paraguaio, a instituição financeira abrigava dinheiro do Instituto de Seguridade Social (previdência paraguaia), da Administração Nacional de Eletricidade (ANDE), empresa estatal de fornecimento de energia, e do Corpo de Bombeiros Voluntários do Paraguai.

Os bombeiros — que no Paraguai não são servidores públicos, sendo um trabalho voluntário — já enfrentam as consequências do escândalo financeiro, com as operações tendo a capacidade reduzida a partir de sexta-feira (6/11).


Banco Ueno quebrou

  • O Banco Ueno foi dissolvido na última terça-feira (3/11) pelo Banco Central paraguaio, que identificou que o nível de solvência do banco caiu para menos da metade do necessário.
  • O banco tinha 2,9 milhões de clientes, cerca de 40% de toda a população paraguaia, sendo o maior banco digital do país. Com a dissolução, milhares de pessoas ficaram sem acesso aos valores depositados.
  • O Ministério Público acusa a empresa de manipular a situação patrimonial do banco para dar credibilidade às operações, e de fazer empréstimos e concessões a empresas ligadas ao grupo controlador do banco.
  • A dissolução do Ueno culminou na queda de Santiago Peña da presidência do Paraguai, que era acionista do grupo controlador do banco até o ano passado.
  • O Congresso paraguaio aprovou o impeachment de Peña em dois dias: na quinta, a Câmara instaurou a abertura do processo, por unanimidade, e, na sexta, o Senado votou pela destituição do presidente paraguaio. Peña também é investigado no âmbito criminal, pelo suposto envolvimento no escândalo financeiro.
  • Na noite de sexta-feira (6/11), Peña foi preso pela Polícia Nacional. O ex-presidente foi detido em casa, na capital paraguaia, Assunção.

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Senado do Paraguai
Santiago Peña, ex-presidente do Paraguai
Santiago Peña, ex-presidente do Paraguai
Paraguaios protestam após crise bancária e política com falência do Banco Ueno
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Paraguaios protestam após crise bancária e política com falência do Banco Ueno

Stringer/Anadolu/Getty Images
Senado do Paraguai
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Reprodução/X
Santiago Peña, ex-presidente do Paraguai
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Santiago Peña, ex-presidente do Paraguai

Klebher Vasquez/Anadolu via Getty Images
Santiago Peña, ex-presidente do Paraguai
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Santiago Peña, ex-presidente do Paraguai

Agencia Press South/Getty Images

Bombeiros

O Corpo de Bombeiros Voluntários do Paraguai foi a primeira instituição afetada concretamente, tendo que operar com a capacidade de veículos reduzida. Segundo o jornal ABC, do Paraguai, o quartel de Itá, tinha apenas um veículo em uso nessa sexta-feira (6/11).

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A diretoria nacional dos bombeiros informou que cerca de 2 bilhões de guaranis (US$ 313 mil) arrecadados durante a última coleta da organização estão congelados no Banco Ueno, além de recurso próprios de quartéis dos bombeiros. A situação, segundo a diretoria, compromete a “capacidade operacional dos quartéis e a continuidade dos serviços de emergência”.

Os bombeiros informam ainda que atuam para que “estes recursos sejam expressamente protegidos e excluídos de qualquer mecanismo de perdão, conversão, reestruturação ou adiamento que possa afetar a sua disponibilidade e destino”.

Previdência

O Instituto de Seguridade Social do Paraguai, a previdência, tem cerca de US$ 355 milhões depositados no Banco Ueno. Segundo o órgão, o valor corresponde a 9% de todo o fundo previdenciário do governo paraguaio.

A previdência, no entanto, garante que a crise não irá afetar o pagamento a aposentados e pensionistas. A conselheira Mirtha Arias, dissipou temores de falta de verbas e garantiu que os pensionistas receberão “integralmente no dia 17 de novembro”.

O instituto tenta reaver os valores congelados no Ueno junto ao Banco Central e já abriu um processo apresentado documentações para garantir a manutenção dos fundos.

Além disso, 32 mil aposentados receberiam os pagamentos por meio do Banco Ueno. A previdência afirma que trabalha para transferir essas contas a outras instituições bancárias.

Energia elétrica

A Administração Nacional de Eletricidade (Ande), estatal paraguaia de fornecimento de energia elétrica, também tinha dinheiro no Banco Ueno. O presidente da Ande, Miguel Baéz, informou à mídia paraguaia que a instituição tem depósitos de empréstimo feitos pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento e por Taiwan.

Da mesma forma dos outros órgãos, a Ande também pediu ao Banco Central um “tratamento especial” para os fundos da empresa. Baéz complementou que a crise do Ueno ainda pode afetar a empresária pois usuários da estatal também utilizam aplicativos do Ueno para fazer pagamentos.

Quedas no governo

A crise no Banco Ueno culminou em uma série de quedas no governo de Santiago Peña.

  • O presidente, Santiago Peña, foi impeachmado nessa sexta-feira (6/1).
  • Com a queda de Peña, o vice-presidente Pedro Alliana, do mesmo partido Colorado, deve assumir o executivo paraguaio.
  • Javier Giménez, chefe do Gabinete da Presidência de Peña, deixou o cargo nessa sexta, assim como o assessor jurídico da Presidência, Roberto Moreno.
  • O diretor do Banco Central, Carlos Cavallo, renunciou ao cargo na quarta.
  • O ministro do Interior, Enrique Riera, foi outro a renunciar ao cargo, nessa quinta.