Iate, jato e carros de luxo são apreendidos após crise bancária no Paraguai
Operação conduzidas pelo Ministério Público miraram grupo de empresários ligados ao Banco Ueno, que foi fechado nesta semana

Operações conduzidas pelo Ministério Público do Paraguai apreenderam um iate, um jato, nove carros de luxo, além de documentos relacionados a empresários ligados ao grupo controlador do Banco Ueno. As operações decorrem das investigações de uma suposta fraude financeira no banco, que culminou em uma crise política e econômica no país.
Nas últimas horas, o órgão fiscalizador fez operações que miraram empresários do Grupo Vázquez, que é o acionista majoritário do banco. Durante as ações, foram apreendidos um iate de luxo do fabricante italiano Azimut Yachts. A embarcação pertencia a Miguel Vázquez, que ex-CEO do Grupo Vázquez e do Banco Ueno.
Os investigadores também apreenderam um jato particular, identificado como um Beechcraft King Air 300. A aeronave, também atribuída a Miguel Vázquez, foi apreendido em um hangar no Aeroporto Internacional Silvio Pettirossi, na cidade de Luque.
Nove carros de luxo, avaliados em US$ 14 milhões, também foram apreendidos durante operação realizada na casa do CEO do Banco Bueno, localizada na capital do Paraguai, Assunção.
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles“A investigação fiscal busca determinar se a holding do Ueno Bank orquestrou um esquema de operações financeiras dentro e fora do banco, por meio de suas ligações com diversas empresas que compartilhavam diretores, endereços e operadores. Acredita-se que essas operações tenham resultado em prejuízos financeiros”, afirma o Ministério Público paraguaio.
As operações também se estenderam escritórios do Banco Ueno e a endereços relacionados ao Grupo Vázquez, onde foram apreendidos documentos, computadores e aparelhos celulares. “Também foram encontrados equipamentos de informática e cofres, que serão abertos com a intervenção de um profissional qualificado, a fim de evitar danos aos dispositivos de segurança”, informou o MP do Paraguai.
O caso também levou a prisão de Miguel Vázquez e outros sete membros do conselho de administração do Banco Ueno. Segundo o BCP, a instituição financeira concedeu empréstimos acima do limite legal a empresas ligadas ao seu próprio grupo empresarial, o que comprometeu a liquidez do banco. Eles são acusados de suposto abuso de confiança, além de outros crimes.
Parlamentares da oposição argumentam ainda que o grupo ligado ao banco teve um crescimento acelerado durante a gestão de Santiago Peña, que já foi acionista da instituição financeira.
Crise no Paraguai
O Paraguai enfrenta uma crise econômica e política após uma intervenção no Ueno Bank, instituição financeira digital que fechou as portas nesta semana. O Banco Central do país determinou pelo fim do Ueno no dia 3 de novembro, por considerá-lo insolvente — quando uma instituição financeira não consegue honrar seus compromissos.
Neste sentido, a autoridade paraguaia determinou a suspensão das operações e iniciou um procedimento de resolução do banco digital. O Ministério Público do Paraguai solicitou ainda uma investigação criminal sobre o banco e pediu pela prisão de dirigentes da instituição.
As apurações envolvem suspeitas relacionadas à gestão e a empréstimos concedidos a empresas vinculadas ao grupo controlador, o que teria comprometido o patrimônio do banco.
A crise também atingiu a cúpula do Banco Central. Carlos Carvallo, que era presidente autoridade monetária desde 2023, renunciou ao cargo. Antes de assumir o BCP, Carvallo foi presidente do Banco Ueno.
A crise atingiu ainda o presidente do Paraguai, Santiago Peña, que foi alvo de um pedido de impeachment em meio a crise financeira do país. Economista de formação, Peña foi acionista da Ueno Holding até março de 2025 (com pouco mais de dois anos de mandato), empresa relacionada ao grupo controlador do banco.
O presidente, contudo, antecipou-se ao avanço ao impeachment e decidiu renunciar ao cargo. Agora cabe ao Congresso do país decidir se aceita ou não a renúncia de Santiago Peña, que deve apresentar o pedido formalmente ao legislativo do país.














