Presidente do Paraguai, Santiago Peña renuncia ao cargo após crise bancária
Decisão antecipa pedido de impeachment contra o presidente do Paraguai, Santiago Peña, que corria no Congresso do país

O presidente do Paraguai, Santiago Peña, decidiu renunciar ao cargo nesta quinta-feira (5/11) em meio ao avanço de um pedido de impeachment contra ele no Congresso do país. O paraguaio deixa o cargo em meio à uma crise política e bancária no país após a dissolução do Banco Ueno, o maior banco digital do Paraguai.
“Tomei a decisão de apresentar minha renúncia à presidência da República. O que faço é pensar na estabilidade do nosso país, na paz social e na necessidade de preservar nossas instituições democráticas. O que faço com absoluto respeito à nossa Constituição Nacional e aos mecanismos institucionais e democráticos que nos temos dado como nação”, disse em comunicado publicado nas redes sociais.
Agora cabe ao Congresso do país decidir se aceita ou não a renúncia de Santiago Peña, que deve apresentar o pedido formalmente ao legislativo do país. Caso a renúncia seja negada, o Congresso pode seguir com processo de impeachment aberto contra o mandatário. A Câmara dos Deputados do Paraguai aprovou nesta quinta-feira (5/11) a abertura de processo de impeachment contra Peña.
Peña tem 47 anos e foi eleito presidente do Paraguai em abril de 2023. Ele é filiado ao Partido Colorado, uma legenda do campo de direita, e substituiu Mario Abdo Benítez na Presidência do país, que também pertence ao mesmo partido.
Acusação
O pedido de impeachment contra o presidente foi apresentado por um grupo de 35 deputados, após a crise bancária no país com a dissolução com o maior banco digital do Paraguai, o Banco Ueno. Apresentando inicialmente por parlamentares da oposição, legenda da base governista do político também aderiu ao pedido de impeachment.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesA dissolução do Banco afeta especialmente Peña. O chefe de Estado paraguaio, que é economista de formação, foi acionista da Ueno Holding até março de 2025, empresa relacionada ao grupo controlador do banco.
A crise da instituição financeira digital também atingiu a cúpula do Banco Central. Carlos Carvallo, que era presidente autoridade monetária desde 2023, renunciou ao cargo. Antes de assumir o BCP, Carvallo foi presidente do Banco Ueno.
Banco Ueno
O Banco Central do Paraguai (BCP) determinou pelo fim do Ueno no dia 3 de novembro, por considerá-lo insolvente — quando uma instituição financeira não consegue honrar seus compromissos. Neste sentido, a autoridade paraguaia determinou a suspensão das operações e iniciou um procedimento de resolução do banco digital.
O Ministério Público do país solicitou ainda uma investigação criminal sobre o banco e pediu pela prisão de dois dirigentes da instituição. As apurações envolvem suspeitas relacionadas à gestão e a empréstimos concedidos a empresas vinculadas ao grupo controlador, o que teria comprometido o patrimônio do banco.






