Paquistão entregou plano de paz ao Irã, diz imprensa dos EUA

O Irã recebeu um plano de 15 pontos dos Estados Unidos para encerrar a guerra no Oriente Médio. Paquistão tem atuado como intermediador

atualizado

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Matt Anderson Photography/Getty Images
Foto colorida das bandeiras dos EUA e Irã
1 de 1 Foto colorida das bandeiras dos EUA e Irã - Foto: Matt Anderson Photography/Getty Images

A imprensa americana noticiou que os EUA apresentaram um plano de 15 pontos para encerrar a guerra com o Irã, com o Paquistão atuando como intermediário para entregar a proposta aos iranianos.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou repetidamente esta semana que os EUA estão em negociações com o Irã e que Teerã quer chegar a um acordo para encerrar as hostilidades, uma alegação que o Irã tem repetidamente negado.

O Irã recebeu o plano de 15 pontos dos EUA para alcançar um cessar-fogo, confirmaram dois funcionários paquistaneses nesta quarta-feira (25/3) à agência de notícias AP. A notícia já havia sido veiculada em primeira mão no dia anterior pelo jornal The New York Times.

Nesta terça-feira, o Paquistão confirmou que lidera uma iniciativa de mediação, juntamente com a Turquia e o Egito, e se ofereceu para sediar possíveis conversas entre os dois lados, que poderiam ocorrer ainda esta semana.

Uma alta autoridade iraniana declarou à agência de notícias Reuters que tanto o Paquistão como a Turquia estão sendo considerados para sediar as negociações diretas.

O Irã insiste que não está envolvido em negociações com os EUA e um porta-voz militar iraniano ironizou os esforços diplomáticos americanos.

O que estaria no plano dos EUA?

Os dois funcionários paquistaneses falaram com a AP sob condição de anonimato, pois não estavam autorizados a discutir o tema publicamente.

Eles disseram que a proposta inclui o alívio das sanções, a cooperação nuclear civil, uma redução do programa nuclear iraniano, o monitoramento pela Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), limites para mísseis e acesso para navegação pelo Estreito de Ormuz.

De acordo com a emissora israelense N12, o plano inclui compromissos do Irã de não buscar armas nucleares e de entregar seu estoque de urânio enriquecido à AIEA.

Um funcionário do governo egípcio envolvido nos esforços de mediação acrescentou que a proposta inclui restrições ao apoio do Irã a grupos armados na região.

O veículo de notícias americano Axios, citando uma fonte com conhecimento do assunto, informou que o enviado especial dos EUA, Steve Witkoff, disse ao presidente Donald Trump que o Irã concordou com vários pontos-chave, incluindo a entrega de seu estoque de urânio altamente enriquecido.

No entanto, ainda não está claro como Teerã responderá formalmente à proposta. A reação de Israel, outra parte envolvida no conflito, também é incerta.

Qualquer negociação direta entre os EUA e o Irã enfrentaria grandes desafios. Muitos dos objetivos de Washington, particularmente em relação aos programas de mísseis balísticos e nuclear do Irã, continuam difíceis de serem alcançados, e não está claro quem no governo iraniano tem autoridade ou estaria disposto a negociar com o governo de Trump.

Progressos rápidos

O analista de segurança Syed Muhammad Ali, baseado em Islamabad e com conhecimento das negociações de cessar-fogo em andamento, disse nesta quarta-feira que as discussões facilitadas pela cúpula política e militar do Paquistão estavam progredindo de forma discreta, mas rápida.

“Houve um progresso significativo e rápido nessas negociações indiretas entre os Estados Unidos e o Irã, que estão sendo facilitadas pelo primeiro-ministro Shehbaz Sharif, pelo chefe do Exército, marechal de campo Asim Munir, e por alguns altos funcionários paquistaneses”, disse Ali à AP.

Ele afirmou que os líderes iranianos permanecem profundamente desconfiados devido ao que ele descreveu como “ataques de decapitação” contra sua liderança política, militar e de inteligência e que concordariam com negociações diretas no Paquistão somente se garantias firmes dos EUA fossem fornecidas para interromper os ataques ao Irã.

Paquistão confirma esforços

O primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, declarou nesta terça-feira na rede social X que, “com a aprovação dos Estados Unidos e do Irã, o Paquistão está disposto e honrado para acolher negociações significativas e conclusivas que permitam uma solução abrangente” para a guerra.

Na sua postagem, Sharif assinalou as contas de Trump, de Witkoff e do ministro dos Exterior iraniano, Abbas Araghchi.

Trump compartilhou a publicação do chefe do governo paquistanês sem adicionar qualquer comentário.

A embaixada iraniana no Paquistão considerou a oferta de negociações dos Estados Unidos “uma farsa” e negou qualquer diálogo com Washington.

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