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Mundo

"Otan islâmica" segue inativa apesar de ações dos Houthis na Arábia Saudita

Arábia Saudita, Turquia e Paquistão assinaram um acordo no último mês, que prevê ajuda militar mútua caso um dos países seja atacado

11/09/2026 15:54
Mohammed Hamoud/Getty Images
Imagem colorida mostra grupo Houthis - Metrópoles

O acordo militar histórico firmado no último mês entre Arábia Saudita, Paquistão e Turquia, que prevê a defesa mútua caso um dos países seja atacado, não foi ativado até o momento apesar da ofensiva dos Houthis contra o território saudita.

Desde julho, o grupo iemenita tem atacado posições militares sauditas ao longo da fronteira com o Iêmen, assim como instalações energéticas dentro da Arábia Saudita.


Por que os sauditas lutam contra os Houthis?

  • Aproveitando a instabilidade política e social no Iêmen, os Houthis tomaram o controle do norte do país, incluindo a capital Sanaa, em 2014.
  • Na tentativa de apoiar o governo iemenita reconhecido, a Arábia Saudita criou uma coalizão militar internacional em 2015.
  • Em 2022, a ONU mediou um acordo de cessar-fogo entre todas as partes envolvidas no conflito.
  • A trégua, no entanto, foi rompida em diversas ocasiões.

Em 7 de agosto, Arábia Saudita, Paquistão e Turquia assinaram o Acordo de Defesa Conjunta de Meca. No pacto trilateral, ambos os países se comprometeram a agir caso um dos membros fosse atacada — modelo parecido com a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).

Apesar disso, a chamada “Otan islâmica” ainda não se envolveu nos confrontos entre sauditas e os Houthis. Paquistão e Turquia continuam cooperando com a Arábia Saudita por meio da coalizão militar criada em 2015 para apoiar o governo do Iêmen na guerra contra o grupo iemenita. 

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Na quarta-feira (9/9), o ministro da Defesa do Paquistão, Khawaja Asif, afirmou que o acordo pode ser ativado caso a situação na região escale.

“Se houver agressão não provocada, ou se o que está acontecendo no Iêmen [ofensiva dos Houthis] se alastrar para a Arábia Saudita, o Acordo de Meca certamente entrará em vigor”, declarou o ministro durante entrevista ao jornal paquistanês Geo News.

Hostilidades entre Arábia Saudita e Houthis

A retomada das hostilidades aconteceu em julho após os Houthis acusarem a Arábia Saudita de atacar o Aeroporto Internacional de Sanaa, na capital iemenita controlada pela organização. O avanço resultou no retorno de bombardeios da coalizão militar liderada por Riade contra áreas no Iêmen sob o domínio do grupo.

Na última terça-feira (8/9), ao menos 73 civis ficaram feridos na Arábia Saudita após ataques dos Houthis em quatro cidades.

Os ataques do grupo coincidem com um bloqueio marítimo contra embarcações sauditas no Estreito de Bab el-Mandeb, em vigor desde julho, e da ofensiva dos Houthis no Iêmen.

Estreito de Bab el-Mandeb, na costa do Iêmen
Estreito de Bab el-Mandeb, rota comercial marítima no Iêmen

Nesta semana, o grupo que tomou uma série de posições na região costeira do Iêmen, incluindo a cidade portuária de Mocha, estratégica para o controle do acesso ao Mar Vermelho. Apesar do apoio saudita, forças do governo reconhecido internacionalmente não têm conseguido impedir o avanço da organização.