O que é o Domo de Ouro que Trump quer construir com a Groenlândia?
Tecnologia sofisticada foi citada pelo presidente norte-americano novamente durante o Fórum Mundial Econômico em Davos, na Suíça
atualizado
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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, citou nesta quarta-feira (21/1), em Davos, seu interesse em anexar a Groenlândia e construir um “Domo de Ouro”. Trata-se do projeto de um sofisticado sistema de defesa, que visa criar redes de satélites para detectar mísseis e destruí-los em vários estágios do lançamento.
O interesse do norte-americano vem desde maio de 2025, quando anunciou que deseja concluir o programa em três anos, antes do fim de seu atual mandato, em 2029.
“Uma vez totalmente construído, o Domo de Ouro será capaz de interceptar mísseis mesmo que sejam lançados de outros cantos do mundo e mesmo que sejam lançados do espaço. Acabando para sempre com a ameaça dos mísseis ao território americano”, disse Trump na Casa Branca.
O domo poderá interceptar os mísseis logo após seu envio, paralisá-los no ar no meio do trajeto para o alvo e retardar sua colisão logo antes da explosão. Segundo a imprensa internacional, o projeto já está em andamento no Pentágono, ao custo estimado de US$175 bilhões.
A justificativa dos EUA para a construção do escudo, segundo Trump, seria a escalada recente de armamentos de países como Rússia, China, Coreia do Norte e Irã. Porém, críticas internacionais apontam que a construção do domo pode causar extamente o que diz combater, ou seja, o aumento da corrida armamentista mundial e espacial.
Para se proteger dessa possível ameaça, o Domo de Ouro teria três camadas de interceptadores de mísseis, conjuntos de radares e lasers, além da implementação de uma tecnologia avançada em área terrestre para formar bases de defesa para impedir ataques espaciais.
O projeto ainda contempla a fabricação de foguetes para lançar cargas militares em órbita e satélites que podem fornecer ferramentas de vigilância e segmentação de última geração para mísseis.
“Nada se compara”
Nesta quarta-feira (21/1), o presidente norte-americano voltou a mencionar a construção do feito no Fórum Mundial Econômico, que acontece em Davos, na Suíça, e que conta com a presença de líderes políticos e dirigentes de empresas das principais economias mundiais.
O objetivo é anexar a Groenlândia, território autônomo sob o domínio da Dinamarca, para que ela faça parte junto aos EUA e Canadá do domo dourado. “Tudo o que queremos da Dinamarca para segurança nacional e internacional é manter os nossos inimigos potenciais e perigosos e energia distantes, para que nós possamos também construir o Domo Dourado, o maior já construído”, declarou.
A Groenlândia é considerada estratégica pelos EUA devido à posição no Ártico, à presença de uma base militar norte-americana, voltada para defesa antimísseis, e ao potencial econômico, que inclui reservas de minerais estratégicos e possíveis jazidas de petróleo e gás.
Em seu discurso, Trump também citou como exemplo o Domo de Ferro que existe em Israel.
“O que a gente fez por Israel foi fantástico, mas nada se compara ao que temos planejado para os Estados Unidos, Canadá e o resto do mundo. Nós vamos construir um domo de ouro como nenhum outro. Nós fizemos isso em Israel. E, aliás, eu falei para pararem de receber crédito pelo domo em Israel, porque é a nossa tecnologia, tudo é nosso”.
Em Israel, o Domo de Ferro, que foi desenvolvido com ajuda dos Estados Unidos, intercepta mísseis de curto alcance. Ele é capaz de calcular a trajetória do artefato e lançar um míssil para explodi-lo no ar. A tecnologia é móvel e pode ser instalada em qualquer área do país.
