Leão XIV lança primeira encíclica do seu papado; saiba o que diz
A encíclica, “Magnifica humanitas”, possui 42.300 palavras e alerta os fiéis aos riscos do uso da Inteligência Artificial na atualidade
atualizado
Compartilhar notícia

O papa Leão XIV apresentou, nesta segunda-feira (25/5), a primeira encíclica, uma carta aberta a “todas as pessoas de boa vontade”.
O documento aborda os riscos da Inteligência Artificial (IA) e faz um alerta aos líderes políticos e empresariais para que priorizem a ética sobre o lucro, regulando a tecnologia para evitar a desumanização e garantir que o progresso sirva à dignidade humana.
Dividida em cinco capítulos, a encíclica parte da premissa de que a tecnologia não é uma “força antagônica em relação à pessoa”, nem “um mal em si mesma”.
No entanto ele reforça que ela “não é neutra, pois assume o rosto daqueles que a concebem, a financiam, a regulam e a utilizam”. Diante disso, o papa apela para que os fiéis construam o bem.
Ao longo do texto, o pontifíce defende que é preciso “desarmar a IA”, e advertiu os governos que espalham desiformação e priorizam conflitos. Ele também pede restrições éticas rigorosas ao uso de armas com IA, uma vez que elas levam o mundo a uma guerra interminável.
“Quando esse poder se concentra nas mãos de poucos, tende a tornar-se opaco e a escapar à supervisão pública, aumentando o risco de formas distorcidas de desenvolvimento que dão origem a novas dependências, exclusões, manipulações e desigualdades”, afirmou.
Pedido de perdão
O papa Leão XIV ainda faz críticas à “teoria da guerra justa”, que, segundo ele, foi usada diversas vezes para justificar qualquer tipo de conflito e agora está “ultrapassada”.
Para o líder da Igreja Católica, a escravidão moderna no contexto da IA é a submissão da vontade humana à lógica da máquina e do lucro, resultando na perda da autonomia moral e na exploração dos mais vulneráveis para sustentar a infraestrutura digital.
Ao longo da encíclica, o papa também pediu perdão pelo papel direto da Igreja Católica na legitimação da escravidão. Ele dmitiu que a Sé Apostólica, em séculos passados, emitiu documentos que autorizavam soberanos a subjugar e escravizar “infiéis”, chamando essa herança de “uma ferida aberta na memória cristã”.