Israel investiga foto de palestino amarrado após denúncia de tortura
Imagem confirmada pelo Exército israelense levou à abertura de investigação; entidades veem indícios de crimes de guerra

O Exército de Israel abriu uma investigação após confirmar a autenticidade de uma fotografia que mostra um prisioneiro palestino vendado, seminu e amarrado a uma cama dobrável. Organizações de direitos humanos afirmam que a imagem apresenta indícios de, pelo menos, um crime de guerra e pode também indicar a prática de tortura ou de tratamento cruel, desumano ou degradante contra o detido.
Na imagem, o homem aparece de bruços, usando apenas roupa íntima, com as mãos amarradas para trás e preso à cama por cordas e por um objeto semelhante a um cabo de vassoura encaixado em uma estrutura metálica. A legenda em hebraico publicada junto à fotografia diz apenas: “Bom dia”.
Segundo as Forças Armadas de Israel (IDF, na sigla em inglês), a autenticidade da foto foi confirmada após uma análise interna. Em nota, a instituição afirmou que o episódio “não está alinhado aos valores e regulamentos” das IDF e informou que uma investigação foi aberta para apurar responsabilidades.
Exército israelense chama o ocorrido de “incomum”
- Desde o início da guerra na Faixa de Gaza, em outubro de 2023, Israel deteve milhares de palestinos, muitos deles sem acusação formal.
- Organizações internacionais e entidades de direitos humanos denunciam repetidamente casos de espancamentos, humilhações, privação de alimentos, restrição de atendimento médico e impedimento de contato com familiares ou advogados.
- Na noite de quinta-feira (9/7), o Exército israelense voltou a afirmar que continua identificando “casos incomuns” que fogem ao comportamento esperado dos militares e reiterou que medidas disciplinares serão adotadas contra os soldados envolvidos após a conclusão das investigações.
Os militares acrescentaram que os envolvidos serão tratados de acordo com as conclusões da apuração. As autoridades, porém, não informaram a identidade nem a origem do prisioneiro, tampouco revelaram onde a fotografia foi registrada, quantos soldados participaram da ação ou quais unidades estavam envolvidas.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesA fotografia ganhou repercussão nas redes sociais após ser republicada, por um ativista palestino identificado como Tamer. Segundo ele, a imagem havia sido publicada originalmente por um soldado israelense, que posteriormente apagou a conta.
الجيش الإسرائيلي يعترف بتعذيب جنوده لشاب فلسطيني من قطاع غزة . https://t.co/qn7BE4ZmP6
— Tamer | تامر (@tamerqdh) July 2, 2026
Especialistas em direitos humanos afirmam que a divulgação da imagem pode configurar crime de guerra, uma vez que o direito internacional humanitário proíbe a exposição pública de prisioneiros em situações humilhantes.
Para Sari Bashi, diretora executiva do Comitê Público Contra a Tortura em Israel, há ainda indícios de outro possível crime. Segundo ela, a forma como o homem foi imobilizado levanta preocupações de que o confinamento tenha sido utilizado como punição.











