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Mundo

ONU acusa Israel de atacar crianças palestinas de forma deliberada

Segundo comissão de investigação da ONU, Israel continua cometendo crimes contra crianças na Faixa de Gaza e Cisjordânia ocupada

23/06/2026 16:10
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Mustafa Hassona/Anadolu via Getty Images
Uma menina caminha entre os escombros de edifícios residenciais após ataques aéreos israelenses no bairro de al-Zahra, na Faixa de Gaza, em 19 de outubro de 2023

O Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH) acusou Israel de continuar cometendo genocídio, e “outras atrocidades” na Faixa de Gaza, que têm como alvo deliberado crianças palestinas. A manifestação do órgão da ONU consta em um relatório divulgado nesta terça-feira (23/6).

Segundo os últimos relatos da Comissão Internacional Independente de Inquérito da ONU sobre o Território Palestino Ocupado, os crimes continuam acontecendo mesmo após um cessar-fogo anunciado entre Israel e Hamas no último ano.

“As evidências mostram que crianças palestinas têm sido alvos deliberados e mortas pelas forças de segurança israelenses”, afirmou o presidente da comissão, Srinivasan Muralidhar. “Mesmo após o cessar-fogo de outubro de 2025, crianças continuam sendo mortas e gravemente feridas, com o Israel desrespeitando continuamente o cessar-fogo e a proteção devida às crianças palestinas pelo direito internacional.”

De acordo com a comissão da ONU para a Palestina, crianças na Faixa de Gaza e Cisjordânia ocupada são submetidas a lesões físicas, traumas coletivos, orfandade, deslocamentos, fome, colapso na educação e torturas e maus-tratos em pirões e centro de detenção israelense.

Cenários que “apagaram a infância e continuarão a afetar as crianças” ao longo de suas vidas, diz um trecho do relatório. 

A ONU também acusou forças israelenses de usar violência sexual contra crianças palestinas, e de prejudicar a sobrevivência de recém-nascidos com os ataques que miram centros de cuidados neonatais e maternidades.

“Mesmo que as bombas e os tiros cessem em Gaza e na Cisjordânia, as crianças palestinas não se recuperarão da noite para o dia”, declarou Muralidhar ao apresentar o documento.

Tensão ONU x Israel

Desde o início da guerra com o Hamas, em 2023, as já frágeis relações de Israel com a Organização das Nações Unidas (ONU) se deterioraram.

Um dos principais argumentos utilizados pelo governo israelense, liderado por Benjamin Netanyahu, é de que as investigações e relatos sobre a crise humanitária na Faixa de Gaza são políticas.

Em 2024, por exemplo, Israel acusou funcionários da ONU de envolvimento com o Hamas. No início deste ano, as Nações Unidas demitiram 70 funcionários que atuavam em Gaza, para avaliações de segurança nas atividades de uma agência de assistência para refugiados palestinos.

A ONU, contudo, frisou que a medida não era uma validação das acusações feitas pelo governo israelense — que não teria apresentado provas e informações que confirmassem os vínculos dos funcionários com o grupo palestino.