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O Hezbollah disparou cerca de 30 foguetes em direção ao norte de Israel após dois bombardeios israelenses no sul de Beirute nesta quarta-feira (15/4). Os ataques ocorreram no dia seguinte à rodada histórica de negociações em Washington entre Israel e o Líbano, primeira etapa de um ciclo de discussões diretas entre os dois países com o objetivo de alcançar uma paz duradoura. O embaixador de Israel nos Estados Unidos rejeita a participação da França nessas negociações entre israelenses e libaneses.
Israel prosseguiu nesta quarta com ataques contra várias localidades do sul do Líbano e nesta manhã lançou novo alerta para que moradores da região deixem suas casas. Ataques aéreos” contra o Hezbollah “estão em andamento” e o Exército “opera com intensidade na região”, declarou em árabe na rede X um porta-voz das Forças Armadas israelenses, o coronel Avichay Adraee.
Ele pediu que os civis se dirijam para o norte do rio Zahrani, situado a várias dezenas de quilômetros da fronteira entre Israel e o Líbano.
Segundo a Agência Nacional de Informação do Líbano (Ani), dois ataques israelenses atingiram nesta quarta dois carros em rodovias a cerca de vinte quilômetros ao sul de Beirute. O primeiro veículo circulava na estrada que liga a capital libanesa ao sul do país na região de Jiyeh. O segundo carro foi atingido em Saadiyat na mesma região. A agência oficial informa que as duas áreas atingidas não são redutos do Hezbollah.
Desde os ataques massivos de quarta-feira 8 de abril, que deixaram mais de 350 mortos em Beirute e em outras regiões do país, Israel não voltou a atingir a capital libanesa em decorrência de pressões diplomáticas.
O Hezbollah pró-Irã por sua vez disparou cerca de 30 foguetes contra Israel na manhã de quarta-feira, informou um porta-voz do Exército israelense. O grupo islamista reivindicou em comunicado disparos de foguetes contra dez localidades do norte de Israel próximas à fronteira.
O Líbano entrou no atual conflito regional em 2 de março, após disparos do Hezbollah contra Israel, em retaliação aos bombardeios israelenses contra o Irã. Até agora, os ataques de Israel contra o sul do território libanês deixaram 2.124 mortos e mais de um milhão de deslocados.
Negociações de paz históricas
As discussões diretas em Washington entre Israel e o Líbano, as primeiras em mais de 30 anos, foram denunciadas pelo Hezbollah.
Israelenses e libaneses aceitaram nessa terça-feira (14/4) iniciar um ciclo de negociações diretas para instaurar uma paz duradoura, garantiu o Departamento de Estado dos Estados Unidos que sediou o encontro. O secretário de Estado Marco Rubio indicou que o objetivo é definir um marco para a construção de uma paz duradoura.
“Descobrimos que estamos do mesmo lado e unidos em nossa vontade de libertar o Líbano do Hezbollah, insistiu o embaixador israelense nos EUA, Yechiel Leiter, que representou Israel.
A embaixadora libanesa em Washington, Nada Hamadeh Moawad, adotou um tom mais cauteloso. Ela descreveu o encontro como produtivo e solicitou a aplicação do acordo de novembro de 2024. Nunca concretizado esse tratado previa o desarmamento do Hezbollah.
O grupo xiita foi o grande ausente das negociações. Além de rejeitar as discussões, continuou a atacar Israel ao longo de todo o dia. Os Estados Unidos reafirmaram o direito dos israelenses de se defenderem contra os ataques do Hezbollah.
Washington rejeitou ainda o pedido de Teerã. O regime iraniano considera que o cessar-fogo de duas semanas atualmente em vigor entre o Irã, Israel e os Estados Unidos deve se aplicar também ao sul do Líbano.
Israel rejeita a participação da França nas negociações
Falando à imprensa ao final das negociações diretas entre Israel e o Líbano em Washington, o embaixador israelense nos Estados Unidos criticou o papel da França no Líbano. Yechiel Leiter rejeitou a participação francesa nessas discussões.
“É certo que não queremos ver os franceses se intrometendo nessas negociações. Gostaríamos de manter os franceses o mais longe possível de praticamente tudo, especialmente quando se trata de negociações de paz”, declarou em termos pouco diplomáticos o embaixador de Israel.
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