Compartilhar notícia

O Irã declarou nesta terça-feira (28/4) que os Estados Unidos não têm mais o direito de “ditar suas políticas” a outros países. A reação ocorre horas após a imprensa americana divulgar que Donald Trump estaria “descontente” com a última proposta de acordo feita pelo regime islâmico.
“Os Estados Unidos não estão mais em posição de ditar suas políticas a nações independentes”, disse o porta-voz do Ministério da Defesa iraniano, Reza Talaei-Nik, citado pela televisão estatal do país. Washington deve abandonar suas “exigências ilegais e irracionais”, acrescentou.
Na véspera, um representante dos Estados Unidos, citado de forma anônima pela imprensa americana, declarou que o presidente americano, Donald Trump, estaria “descontente” com a última proposta de acordo enviada pelo Irã. Segundo a fonte, o líder republicano considerou que o plano apresentado por Teerã não responde às exigências do abandono de seu programa nuclear, um dos principais pontos de discórdia entre os dois países.
Os comentários foram feitos depois que a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, informou, em uma coletiva de imprensa, que Donald Trump discutiu com seus principais conselheiros uma nova proposta do Irã para encerrar o conflito no Oriente Médio. Segundo a imprensa americana, o plano teria sido apresentado pelo regime iraniano paralelamente ao cessar-fogo mediado pelo Paquistão no início do mês e posteriormente prorrogado pelos Estados Unidos por tempo indeterminado.
Leavitt afirmou que a proposta não atendia às expectativas de Donald Trump, mas não esclareceu se ela havia sido oficialmente recusada. “Confirmo que o presidente se reuniu com sua equipe de segurança nacional”, resumiu, indicando que o plano continua sendo discutido.
Durante o fim de semana, o presidente americano decidiu não enviar representantes a Islamabad para uma segunda rodada de negociações com autoridades iranianas de alto escalão.
“Se eles [representantes iranianos] quiserem conversar, podem (…) nos ligar”, disse Trump no domingo (26) ao canal Fox News. “Eles sabem o que o acordo precisa incluir (…) Eles não podem ter a arma nuclear. Caso contrário, não há motivo para nos encontrarmos”, reiterou.
Conteúdo da proposta
A nova proposta iraniana teria sido enviada por meio de “mensagens escritas” a Washington com a ajuda do país mediador, o Paquistão, informou a agência de notícias Fars. No texto, o Irã detalha suas “linhas vermelhas” para as negociações, incluindo seu programa nuclear e a reabertura do Estreito de Ormuz, informou a imprensa americana.
Ao ser questionado sobre os termos do plano, o secretário de Estado americano, Marco Rubio disse ao canal Fox News que o conteúdo era “melhor” do que Washington poderia imaginar. No entanto, questionou a iniciativa.
“Temos que garantir que qualquer acordo que seja feito, qualquer acordo que seja alcançado, seja um que impeça definitivamente que desenvolvam uma arma nuclear a qualquer momento”, afirmou Rubio.
Segundo fontes iranianas de alto escalão, a nova proposta teria sido discutida pelo ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, em Islamabad, onde esteve durante o fim de semana.
Encontro com Putin
Além do Paquistão, Araghchi esteve em Omã, que atuou como mediador no início do ano em negociações sobre o programa nuclear iraniano, e depois na Rússia, onde se encontrou na segunda‑feira com o presidente Vladimir Putin. Em São Petersburgo, o ministro iraniano atribuiu aos Estados Unidos, o fracasso das conversas para pôr fim à guerra.
“A abordagem dos Estados Unidos fez com que a rodada anterior de negociações, apesar dos avanços, não alcançasse os objetivos devido a exigências excessivas”, disse Araghchi.
Segundo ele, desde que a guerra no Oriente Médio teve início, o mundo passou a “entender o verdadeiro poder do Irã” e “ficou evidente que a República Islâmica é um sistema estável, robusto e poderoso”.
O porta-voz do Ministério da Defesa iraniano, Reza Talaei-Nik, também declarou nesta terça-feira que o Irã está “pronto para compartilhar suas capacidades de defesa militar com países independentes”. As declarações foram feitas pouco antes de uma reunião dos ministros da Defesa da Organização de Cooperação de Xangai (OCS) no Quirguistão, que reúne dez países — incluindo China, Índia e Rússia — e se apresenta como um contraponto aos Estados Unidos.
Leia mais reportagens como esta em RFI, parceiro do Metrópoles.
