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O Ministério das Relações Exteriores do Irã acusou os Estados Unidos nesta segunda-feira (1º/6) de violar o cessar-fogo com o país, após os ataques americanos do fim de semana. “Vamos tomar todas as medidas que considerarmos necessárias para defender a segurança nacional do Irã”, declarou o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Esmaïl Baghaï, durante uma coletiva de imprensa.
O Exército americano realizou, durante o fim de semana, ataques classificados como “defensivos” e “medidos” no Irã contra centros de comando de drones, acusando Teerã de ações “agressivas”. Os bombardeios tiveram como alvo sistemas de radar e de controle de drones na cidade de Goruk e na ilha de Qeshm, no Estreito de Ormuz, informou o Comando americano para o Oriente Médio (Centcom) domingo, no X.
Em represália, a Guarda Revolucionária do Irã afirmou ter atingido uma base utilizada pelos Estados Unidos. “Os Estados Unidos estão violando o cessar-fogo, inclusive esta manhã”, acrescentou o porta-voz.
Ele lembrou que Israel também continua desrespeitando a trégua no Líbano. Segundo ele, um eventual acordo com os Estados Unidos para encerrar o conflito no Oriente Médio está condicionado a uma trégua nos combates no país, onde o Exército israelense ataca posições do Hezbollah, aliado de Teerã.
Esmail Baghaï reiterou que o programa nuclear iraniano não faz parte das discussões em andamento com os Estados Unidos. “Não houve nenhuma negociação sobre os detalhes do programa nuclear. Neste momento, nossa prioridade é pôr fim à guerra”, afirmou.
O presidente americano Donald Trump disse que o Irã se comprometeu a não desenvolver armas nucleares e declarou nesta segunda que o país quer realmente “concluir um acordo” com os Estados Unidos. “O Irã realmente quer concluir um acordo, e será um bom acordo para os Estados Unidos e para aqueles que estão conosco”, escreveu Trump na rede Truth Social. Segundo ele, as declarações de autoridades iranianas não facilitam as negociações.
“Torna-se muito mais difícil para mim fazer corretamente meu trabalho e negociar quando políticos desonestos não param de criticar, em um nível nunca visto antes, dizendo que eu deveria agir mais rápido ou mais devagar, entrar em guerra ou não entrar em guerra, ou qualquer outra coisa”, escreveu Trump.
“Sentem-se e relaxem, tudo terminará bem. É sempre assim!”, concluiu. Os novos incidentes do fim de semana fragilizam ainda mais o cessar-fogo anunciado há quase oito semanas. Teerã advertiu, no domingo, que não aceitaria nenhum acordo sem garantias de que os direitos do povo iraniano seriam assegurados.
“Não se deve confiar nas palavras e nas promessas do inimigo. Nosso único critério é obter resultados concretos antes de cumprir nossos compromissos em contrapartida”, afirmou Mohammed Baqer Qalibaf, segundo declarações divulgadas no domingo pela imprensa oficial iraniana.
Reunião na ONU
Israel ordenou, nesta segunda, que seu Exército atacasse a zona sul de Beirute, reduto do Hezbollah pró-Irã. O país intensificou sua ofensiva no Líbano.
A pedido da França, o Conselho de Segurança da ONU deve se reunir com urgência nesta segunda para analisar a situação no Oriente Médio. Segundo o presidente francês Emmanuel Macron, “nada justifica a grande escalada em curso no sul do Líbano”. Ele elogiou nesta segunda, em uma mensagem no X, os esforços de Trump para obter um acordo de paz com Teerã.
“Estamos prontos para apoiar plenamente esses esforços e assumir integralmente nosso papel em sua implementação. Esse é o objetivo da missão internacional que construímos com os britânicos e nossos parceiros, pronta para ser mobilizada assim que um acordo for concluído, a fim de contribuir para a segurança do tráfego marítimo no Estreito de Ormuz”, disse Macron. Ele ressaltou que a França também está disposta a ajudar nas negociações sobre a questão nuclear.
J’ai échangé hier soir avec le Président Trump au sujet de la situation au Moyen-Orient.
J’ai salué les efforts déterminés qu’il mène pour parvenir rapidement à un accord entre les États-Unis et l’Iran, qui constitue une opportunité unique de construire…
— Emmanuel Macron (@EmmanuelMacron) June 1, 2026
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, considerou a tomada da fortaleza Beaufort, no sul do Líbano, anunciada no domingo, um “ponto importante” nas operações israelenses. Ele pediu às forças do país que ampliassem seu “controle sobre as áreas que estavam sob domínio do Hezbollah”.
Confrontos diários no Líbano
Os confrontos entre Israel e o Hezbollah pró-Irã são quase diários, apesar da trégua de 17 de abril, que nunca foi respeitada. Nos últimos dias, o Exército israelense avançou ainda mais no sul do Líbano, mantendo seus ataques aéreos. O Hezbollah, por sua vez, segue com ataques de drones contra posições israelenses no sul do Líbano e no norte de Israel.
O Hezbollah está presente na zona sul da capital, assim como no sul e no leste do país. O Exército israelense também ordenou, nesta segunda-feira, a evacuação de nove vilarejos nas regiões de Saida e Jezzine, no sul.
Enquanto o país deve realizar novas discussões com Israel na terça e quarta-feira em Washington, o presidente libanês, Joseph Aoun, condenou as últimas operações israelenses, denunciando uma “agressão feroz e condenável”. A tomada da fortaleza de Beaufort, construída no século 12, um ponto estratégico que domina o sul do Líbano e parte do norte de Israel, abre caminho para o avanço do Exército israelense em direção à região de Nabatieh.
No domingo, um ataque israelense à cidade de Deir Zahrani, no distrito de Nabatieh, matou oito pessoas, incluindo três mulheres, e deixou 19 feridos, entre eles cinco crianças, segundo o Ministério da Saúde libanês. Desde o início da guerra, em 2 de março, mais de 3.412 morreram Líbano e mais de um milhão foram deslocadas, segundo autoridades de Beirute. Do lado israelense, 26 soldados morreram, após a morte de mais um militar nesta segunda-feira.
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