Israel faz novos ataques e avança no Líbano em meio a negociações

Os confrontos entre Israel e o Hezbollah pró-Irã são quase diários, apesar da trégua decretada em 17 de abril, que nunca foi respeitada

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metropoles.com

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imagem colorida israel amplia ofensiva no sul do libano
1 de 1 imagem colorida israel amplia ofensiva no sul do libano - Foto: Reprodução/Redes sociais

Israel voltou a bombardear neste sábado (30/5) o sul do Líbano. Ao mesmo tempo, o exército israelense continua avançando no território libanês. A ofensiva ocorre apesar do cessar-fogo teoricamente em vigor e um dia após novas discussões em Washington, que por enquanto não tiveram impacto no terreno.

Os confrontos entre Israel e o Hezbollah pró-Irã são quase diários, apesar da trégua decretada em 17 de abril, que nunca foi respeitada. Na manhã deste sábado, o exército israelense alertou os habitantes de mais de uma dezena de vilarejos libaneses para que deixassem suas casas antes dos ataques. Os bombardeios atingiram várias localidades do sul, segundo a Agência Nacional de Informação libanesa (Ani, oficial).

O exército libanês informou que um ataque de drone israelense “direcionado” atingiu e feriu gravemente dois de seus soldados, que estavam em um veículo, perto da cidade meridional de Nabatieh.

Disparos de artilharia também ocorreram perto da fortaleza medieval de Beaufort. Na véspera, o ministro da Cultura libanês havia alertado para o “grave perigo” que os ataques israelenses representam ao patrimônio histórico do país.

O Hezbollah, por sua vez, reivindicou o lançamento de foguetes em direção ao norte de Israel. O exército israelense afirmou ter interceptado vários projéteis, com exceção de um foguete que caiu em seu território, sem deixar feridos.

Líbano condena ofensiva

Em comunicado, o presidente e o primeiro-ministro do Líbano, Joseph Aoun e Nawaf Salam, denunciaram “as práticas condenáveis de Israel”, “a ampliação” de seus ataques, especialmente nas regiões de Tiro e Nabatieh, assim como a “continuação dos bombardeios e da destruição com o uso de tratores em casas e sítios históricos”.

Israel declarou, nesta semana, grande parte do sul do Líbano como uma “zona de combate”. O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu indicou que soldados israelenses “atravessaram”, na sexta-feira, o rio Litani, localizado a cerca de 30 quilômetros da fronteira.

Nos últimos dias, as operações aéreas e terrestres contra o sul do território libanês foram intensificadas e têm como alvo o Hezbollah, que Israel deseja desarmar. O movimento xiita se recusa e se opõe a qualquer negociação entre o governo libanês e Israel.

Negociações

Delegações militares dos dois países se reuniram na sexta-feira (29), em Washington, para preparar uma nova rodada de negociações, a quarta desde o início da guerra no começo de março. As discussões estão previstas para os dias 2 e 3 de junho.

A iniciativa ocorre em meio a difíceis negociações entre os Estados Unidos e o Irã, que exige a inclusão do fim das hostilidades no front libanês em qualquer acordo que vise encerrar a guerra no Oriente Médio.

Desde o início da guerra em março, os ataques israelenses no Líbano já mataram 3.355 pessoas e provocaram mais de um milhão de deslocados, segundo as autoridades. Apenas na última semana, 15 crianças foram mortas e 62 feridas, de acordo com a Unicef.

Líbano e Israel iniciaram, em abril, sob mediação dos Estados Unidos, negociações inéditas para chegar a um acordo de segurança. A reunião militar de sexta-feira, considerada “construtiva” pelo Pentágono, servirá “de base ao componente político”, que deverá ser discutido nas reuniões previstas para os dias 2 e 3 de junho, segundo o vice-secretário de Defesa dos EUA, Elbridge Colby.

O presidente libanês declarou ao secretário de Estado americano, Marco Rubio, que uma trégua é “passagem obrigatória” para qualquer avanço nas negociações.

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