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O Irã condicionou, neste domingo (31/5), a conclusão de qualquer acordo com os Estados Unidos à garantia de que seus “direitos” serão “plenamente garantidos”. Teerã destacou que não acredita “nem nas palavras, nem nas promessas” norte-americanas nas difíceis negociações em curso para pôr fim à guerra no Oriente Médio.
As declarações foram feitas pelo principal negociador iraniano e presidente do Parlamento, Mohammad Bagher Ghalibaf, em um vídeo divulgado pela televisão estatal.
O Irã considera a suspensão das sanções americanas e o desbloqueio de seus ativos congelados como parte de seus direitos. O país reivindica manter o controle sobre o estratégico Estreito de Ormuz.
Teerã também insiste que qualquer acordo inclua o fim das hostilidades no Líbano, onde Israel intensifica suas operações contra o movimento xiita pró-iraniano Hezbollah.
Trump teria endurecido proposta
Os dois países deram sinais, nos últimos dias, de que se aproximavam de um acordo, mas informações reveladas no sábado indicaram novas dificuldades. O New York Times informou, sem dar mais detalhes, que o presidente norte-americano, Donald Trump, havia endurecido sua proposta e enviado uma nova versão de um possível protocolo de acordo a Teerã.
Segundo o site americano Axios, Trump, cuja prioridade declarada é pôr fim ao programa nuclear iraniano e restabelecer o tráfego marítimo no Estreito de Ormuz, quer mais firmeza na posição de Washington.
Em uma entrevista gravada durante a semana e exibida no sábado na Fox News, o presidente americano afirmou ter obtido de Teerã um compromisso renovado de não desenvolver armas nucleares.
“A única garantia de que preciso é que não haverá armas nucleares. Eles aceitaram isso, e foi muito interessante”, afirmou Trump.
O republicano acrescentou que o regime iraniano também indicou que não vai comprar “uma arma nuclear”.
Sem pressa
Donald Trump disse que “não tem pressa” nas negociações. “Devagar, mas com segurança, acredito que estamos conseguindo o que queremos”. Caso contrário, evocou, “as coisas terminarão de outra forma”.
No sábado, o secretário de Defesa americano, Pete Hegseth, afirmou que os Estados Unidos são “mais do que capazes” de retomar a guerra contra o Irã em caso de fracasso das discussões.
A guerra foi desencadeada em 28 de fevereiro por uma ofensiva israelo-americana, enquanto Teerã e Washington haviam retomado negociações sobre o programa nuclear. O conflito, que já deixou milhares de mortos, abala a economia mundial ao elevar os preços do petróleo.
Estados Unidos e Israel acusam Teerã de querer desenvolver armas nucleares, o que o Irã nega. Até agora, o país insiste em tratar da questão nuclear posteriormente, após a assinatura de um protocolo de acordo.
Washington também é contrário à manutenção do controle iraniano sobre o Estreito de Ormuz, passagem estratégica para o comércio mundial de hidrocarbonetos. O Exército americano impôs, em meados de abril, um bloqueio aos portos iranianos.
O comando militar dos EUA para o Oriente Médio (Centcom) afirmou no sábado ter atingido com um míssil a sala de máquinas de um cargueiro que navegava sob bandeira da Gâmbia e tentava chegar a um porto iraniano.
A Guarda Revolucionária do Irã indicou neste domingo ter abatido um drone americano MQ-1 que, segundo eles, estava prestes a entrar nas águas territoriais iranianas para “operações hostis”. O Exército americano não se pronunciou.