Irã admite ter abatido avião ucraniano: “Erro imperdoável”

Segundo a TV estatal iraniana, um "erro humano" fez com que o voo 752 da Ukraine International Airlines fosse derrubado por um míssil

atualizado 11/01/2020 11:41

Mazyar Asadi/Pacific Press/LightRocket via Getty Images

O presidente do Irã, Hassan Rouhani, foi ao Twitter neste sábado (11/01/2020) e admitiu que mísseis do país derrubaram, devido a um “erro humano”, o voo 752 da Ukraine International Airlines, que decolou às 6h12 da quarta-feira (08/01/2020) e caiu às 6h14, matando todas as 176 pessoas a bordo.

Na postagem, Rouhani classificou a tragédia como decorrente de um “erro imperdoável”. “Investigação interna das Forças Armadas concluiu que, lamentavelmente, mísseis disparados devido a um erro humano causaram a horrorosa tragédia da queda do avião ucraniano e a morte de 176 pessoas inocentes”, registrou Rouhani na declaração.

Na sexta-feira (10/01/2020), tanto o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, quanto o primeiro-ministro do Canadá, Justin Trudeau, haviam feito pronunciamentos colocando nas costas do Irã a responsabilidade pela derrubada da aeronave.

No comunicado divulgado neste sábado, as Forças Armadas iranianas apresentaram condolências aos parentes das vítimas. O ministro iraniano das Relações Exteriores, Mohamad Zarif, lamentou profundamente e pediu desculpas às famílias das vítimas.

Imagens do ataque
Um vídeo de 20 segundos divulgado por diversos veículos de comunicação na quinta-feira (09/01/2020) mostra o momento exato em que o avião Boeing 737-800 da Ukraine International Airlines cai. Nas imagens, é possível ver uma forte luz se aproximando do solo, seguida de uma explosão.

A aeronave decolou do aeroporto de Teerã às 6h12 da última quarta-feira (horário local; 23h42 de terça-feira em Brasília) e perdeu contato com a torre dois minutos depois, às 6h14. O avião ucraniano carregava passageiros de sete nacionalidades.

Sanção dos EUA
Em resposta ao ataque, o governo norte-americano informou que vai impor novas sanções ao Irã, dessa vez contra as autoridades de seguranças do país. Os secretários Mike Pompeo (Estado) e Steven Mnuchin (Tesouro) anunciaram a medida, que tem como alvo altos funcionários do governo e setores-chave da economia iraniana, além de cortar bilhões de dólares em fundos para o governo.

Frente aos apelos internacionais para que o conflito arrefecesse, Trump tomou a medida com a expectativa de frear o desenvolvimento de um programa nuclear iraniano e forçar uma negociação.

Especialistas ouvidos pelo Metrópoles, contudo, alertam: já há na literatura das relações internacionais questionamentos sobre a efetividade de medidas do tipo. Na prática, sanções podem prejudicar a população local, fortalecer discursos de governos autoritários e enfraquecer a oposição interna, avaliam.

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