Guerra esquecida faz Sudão liderar crise global de deslocados
Segundo dados da ONU, aproximadamente 12,8 milhões de pessoas foram deslocadas à força no Sudão em meio à guerra que se estende desde 2023

Enquanto guerras como a da Ucrânia, na Faixa de Gaza e no Irã ganham destaque por seus impactos na comunidade internacional, ou devido aos atores envolvidos, o conflito esquecido no Sudão faz o país liderar a crise global de pessoas deslocadas à força ao redor do mundo.
Em 2025, aproximadamente 12,8 milhões de sudaneses encontravam-se foram de suas casas, na tentativa de fugir da violência na nação africana.
Para se ter ideia do que isso representa, a população atual sudanesa é estimada em 53,2 milhões de habitantes.
Guerra no Sudão
- O atual conflito no Sudão começou em 2023, após um racha entre militares que interromperam o processo de transição democrática no país em 2019.
- A guerra desencadeou o que a ONU classifica como a mais grave crise humanitária do mundo na atualidade.
- Estimativas apontam que mais 150 mil pessoas foram mortas desde o início do conflito.
- A violência também provocou uma forte onde de fome no país, o terceiro maior da África.
O dado consta no relatório Tendências Globais: Deslocamento Forçado em 2025, publicado pela Agência das Nações Unidas para Refugiados (Acnur) nesta quinta-feira (11/6).
Segundo a agência da ONU, o país localizado no nordeste da África é o atual epicentro da maior crise de deslocamentos forçados do planeta.
Dos 12,8 milhões de sudaneses fogem do conflito, que se arrasta desde 2023, 9,1 milhões estão fuga dentro do próprio país. Segundo a Acnur, eles são classificados como Pessoas Deslocadas Internamente (IDPs) — ou seja, indivíduos que foram forçados a abandonarem suas casas, mas permanecem dentro das fronteiras das nações em que nasceram.
Somente na região de Darfur, onde estão concentrados os confrontos juntamente com a capital do Sudão, Cartum, o número de registros de deslocados internamente no país é de 5,7 milhões. Foi lá que em outubro de 2025 as Forças de Apoio Rápido (RSF), opositoras da atual administração do país, capturaram a cidade de El Fasher, onde mais de 6 mil pessoas foram mortas em meio à ofensiva.
Enquanto isso, 2,8 milhões estão refugiados em outros países, um aumento de 35% em relação a 2024. Além disso, cerca de 940.300 mil aguardam decisões de asilo.
De acordo com o relatório da Acnur, os sudaneses estão concentrados principalmente em países vizinhos. São eles: Chade (1,3 milhão), Sudão do Sul (571.100 mil), Líbia (511.700 mil), Etiópia (98.500 mil) e Uganda (92.700 mil).
Além da guerra civil, desastres naturais no país, como fortes chuvas e inundações, provocaram mais de 30 mil deslocamentos forçados em 11 estados do Sudão, entre abril e novembro de 2025.
As origens da guerra esquecida
A atual crise no Sudão tem origem em 2019, quando o ex-ditador do país, Omar al-Bashir, foi deposto após 30 anos no poder. Na época, uma coalizão civil-militar foi criada, sob o nome de Conselho Soberano, para governar o país interinamente.
O órgão era liderado pelo general Abdel Fattah al-Burhan, chefe das Forças Armadas Sudanesas (SAF), e pelo primeiro-ministro Abdalla Hamdok.
Em 2021, contudo, um novo golpe de Estado foi realizado. Desta vez culminando na deposição do então o premiê Hamdok, e na dissolução do novo governo de transição sudanês.
Naquele ano, o terceiro maior país da África passou a ser controlado por uma coalizão militar liderada não só pelo al-Burhan, mas também pelo general Mohamed Hamdan Dagalo, chefe das Forças de Apoio Rápido (RSF).
Formadas em 2013, as RSF são um poderoso grupo paramilitar sudanês, que por anos esteve ligada ao governo do Sudão.
Em 2023, cerca de três anos após derrubarem o governo de transição cívico-militar, as duas forças militares entraram em divergências, que resultaram em um racha na aliança.
Desde 2023, as Forças Armadas Sudanesas (SAF), do general Abdel Fattah al-Burhan, e as Forças de Apoio Rápido (RSF), comandadas pelo general Mohamed Hamdan Dagalo, disputam o controle do país. Ambos os lados são acusados de cometerem crimes de guerra.








