A luta de jovens em Uganda para vencer desafios da vida com o boxe

Em um pequeno distrito de Uganda, um grupo de jovens boxeadores enfrentam desafios, dentro e fora dos ringues, em busca de uma vida melhor

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Mesmo com a falta de estrutura, um grupo de jovens recorreu ao boxe e kickboxing como forma de superar as dificuldades impostas pela dura realidade vivida por grande parte da população de Uganda — país africano que ocupa as últimas posições do ranking do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), elaborado pela Organização das Nações Unidas (ONU).

 


Situação de Uganda

  • Localizado na África Oriental, Uganda é o lar de aproximadamente 50 milhões de pessoas, segundo levantamentos locais recentes.
  • Uganda também é um dos países que mais recebem refugiados ao redor do mundo, abrigando quase 2 milhões de pessoas que foram obrigadas a fugirem de suas terras natais. Eles vêm, principalmente, de nações vizinhas que enfrentam conflitos, como o Sudão e a República Democrática do Congo (RDC).
  • Além de problemas com a governança local, um dos maiores desafios do país é a fome, apesar do recente crescimento econômico de 6,2% em 2025.
  • Estimativas da Organização das Nações Unidas (ONU) apontam que mais de 20% da população do país vive abaixo da linha de pobreza. De acordo com dados do Banco Mundial, 48% dos ugandenses enfrentam insegurança alimentar moderada.

De forma improvisada, os treinos dos alunos do Uganda Kickboxing Club, a maioria deles em situação de vulnerabilidade social, acontecem em cenários totalmente diferentes dos que boxeadores, profissionais e amadores, estão acostumados. Na academia, localizada no distrito de Bugiri, a cerca de 152 km da capital Kampala, os lutadores costumam transformar pistas, pedreiras, e até mesmo lamaçais, em ringues.

Ao todo, 22 alunos, entre 10 e 25 anos, dividem o escasso equipamento da academia durante as sessões. Outros 15 compartilham bem mais do que luvas, perneiras e capacetes: eles vivem na pequena sede do Uganda Kickboxing Club.

O projeto foi criado há cerca de cinco anos por Kairugavu Aramanzani, que conheceu o mundo das lutas através de um amigo que treinava kickboxing. Em entrevista ao Metrópoles, o jovem de 24 anos revelou ter encontrado nas artes marciais não só um meio de autodefesa ou de se manter em forma, mas também um caminho para tentar mudar algumas realidades em Uganda.

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Confira a entrevista na íntegra:

Como foi o seu primeiro contato com o boxe? 

Comecei a praticar kickboxing por influência de um amigo que era praticante. Me interessei pela modalidade como forma de manter a forma física e me defender, mas acabei me apaixonando. Estou envolvido com o boxe há mais de 10 anos. Costumava competir, mas agora me dedico ao treinamento como ferramenta de transformação social.

Qual é a história do Uganda Kickboxing Clube? 

O clube de kickboxing de Uganda surgiu da paixão por ajudar crianças de rua. Encontrei muitas crianças vivendo nas ruas e quis oferecer a elas um lugar seguro para melhoras suas habilidades e vidas. Comecei a ensiná-las boxe e kickboxing como uma forma de disciplina, autoconfiança e condicionamento físico, além de proporcionar a elas um senso de propósito e pertencimento.

O que você espera com este projeto? 

O objetivo é capacitar os jovens, especialmente crianças de rua, por meio do treinamento de kickboxing e boxe, ensinando-lhes habilidades para a vida, e melhorando seu bem-estar socioeconômico.

Vocês recebem algum tipo de apoio financeiro do governo? 

Recebemos algum apoio de ONGs locais e, ocasionalmente, subsídios governamentais. Mas nos auto-financiamos, principalmente por meio de doações e apoio de nossos membros.

Quantos professores atuam no Uganda Kickboxing Club? 

Somos 3 instrutores. Mas nosso maior desafio é garantir financiamento e recursos consistentes, como equipamentos e instalações, para atender ao número crescente de alunos.

Além dos treinos, como a academia ajuda os jovens boxeadores? 

Nem todos os 22 alunos moram na academia, a maioria deles vêm de comunidades locais. Mas temos 15 crianças que vivem na academia, e outras em albergues próximos, que ajudamos a apoiar. Nem todos os alunos são órfãos, mas a maioria vem de contextos vulneráveis, incluindo crianças de rua e crianças de famílias de baixa renda. O resultado é que essas crianças recebem um espaço seguro, alimentação e apoio, além de desenvolverem habilidades para a vida e autoconfiança.

Quais são os maiores problemas enfrentados pela Uganda Kickboxing Club e pelo país em geral? 

A situação em Uganda como um todo está indo relativamente bem considerando o crescimento econômico. Mas a pobreza e a desigualdade ainda são grandes problemas, especialmente em áreas ruais. Nós, por exemplo, temos cerca de 14 peças de equipamentos para nosso alunos, incluindo bolsas, protetores, luvas e alguns pesos.

Doações

Parte do financiamento do Uganda Kickboxing Club que custeia não só equipamentos e infraestrutura, como também garantem alimentos para os jovens boxeadores, vem de doações. Os valores são recebidos através de uma campanha on-line onde mais de 9,6 mil euros já foram arrecadados. Para doar, clique aqui.

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