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Mundo

Governo Trump defende direito de marcha de supremacistas nos EUA

Secretário do Interior afirmou que, apesar de discordar do grupo, a liberdade de expressão garante o direito de manifestação

05/07/2026 17:02
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Kayla Bartkowski/Getty Images
Foto colorida mostra bandeira dos EUA - Metrópoles

O secretário do Interior dos Estados Unidos, Doug Burgum, afirmou neste domingo (5) que a liberdade de expressão prevista na Constituição norte-americana assegura o direito de grupos extremistas se manifestarem, ao comentar uma marcha de supremacistas brancos, realizada em Washington, durante as comemorações pelos 250 anos da independência do país.

O desfile ocorreu no sábado (4/7), data em que os americanos celebraram a assinatura da Declaração de Independência de 1776. Centenas de manifestantes, muitos com os rostos cobertos, percorreram ruas da capital dos EUA carregando bandeiras confederadas e símbolos ligados ao grupo supremacista Patriot Front, enquanto entoavam palavras de ordem em defesa de uma suposta “retomada” do país.

Em entrevista à CNN, Burgum disse discordar das ideias defendidas pelo movimento, mas ressaltou que o direito à livre manifestação é um dos pilares da democracia americana.

“Evidentemente, aquilo que eles defendem é algo com que eu jamais poderia concordar. Mas um dos princípios fundamentais dos EUA, que faz com que a democracia seja algo desordenado, é a liberdade de expressão”, declarou.

Ao ser questionado se condenava o grupo e se defenderia uma manifestação pública de repúdio por parte de Trump, Burgum evitou fazer críticas diretas.

Segundo ele, há diversos discursos que considera ofensivos e reprováveis, mas que, ainda assim, são protegidos pela liberdade de expressão garantida nos Estados Unidos. O secretário também aproveitou a entrevista para criticar candidatos progressistas que disputam cargos públicos, chamando-os de “comunistas”.

Vestindo calças e bonés cáqui, além de camisetas azul-marinho, os integrantes do Patriot Front se concentraram inicialmente na estação Union Station, após utilizarem o sistema de metrô da cidade, e seguiram em marcha em direção à região do Capitólio. De acordo com relatos, a manifestação foi liderada por Thomas Rousseau, fundador do grupo de orientação neofascista.

A Polícia Metropolitana de Washington informou que o grupo percorreu por um curto período áreas próximas ao Capitólio e deixou a cidade antes das 11h. Em nota, a corporação afirmou reconhecer o direito de manifestações pacíficas e reiterou o compromisso de garantir a segurança de moradores e visitantes.

O Patriot Front surgiu após a manifestação “Unite the Right”, realizada em 2017 na cidade de Charlottesville, no estado da Virgínia, que reuniu nacionalistas brancos de diferentes regiões do país. O ato terminou em tragédia, quando um homem identificado como supremacista branco avançou com um carro contra um grupo de contramanifestantes, causando a morte de uma mulher e deixando outras 19 pessoas feridas.

Na ocasião, Trump levou cerca de dois dias para comentar o episódio e acabou sendo alvo de críticas ao afirmar que havia “pessoas muito boas dos dois lados” dos protestos.