Governo se divide entre cautela e otimismo em relação a encontro de Lula e Trump

Líderes se reúnem nesta quinta-feira (7/5), na Casa Branca, para discutir temas relacionados à agenda bilateral entre os países

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1 de 1 Imagem colorida de Trump e Lula na Malásia - Metrópoles - Foto: Ricardo Stuckert/PR

O presidente dos Estados Unidos (EUA), Donald Trump, recebe nesta quinta-feira (7/5), na Casa Branca, em Washington, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para uma reunião de trabalho sobre assuntos bilaterais de interesse dos países.

O governo brasileiro está dividido quanto às expectativas para o encontro. Uma ala defende que o chefe do Planalto adote cautela diante do líder norte-americano e evite abordar, por iniciativa própria, temas considerados sensíveis, como a eventual classificação do Comando Vermelho (CV) e do Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas.

O governo dos Estados Unidos avalia essa possibilidade, enquanto o Palácio do Planalto rechaça a medida por entender que ela pode abrir brechas para interferências externas no país. Ainda que o combate ao crime organizado seja uma das prioridades de Lula na reunião, a tendência é que o tema do terrorismo não seja levantado espontaneamente pelo presidente brasileiro.

A avaliação de auxiliares é a de que há um grupo específico dentro do Departamento de Estado norte-americano que defende a medida e pressiona por ações mais duras contra o Brasil.

Nesse sentido, a iniciativa não refletiria necessariamente a posição de todo o governo dos EUA, nem, obrigatoriamente, a do próprio Trump. Resta saber se o presidente norte-americano levará o assunto à mesa.

Outro setor do Executivo, ligado à área diplomática, descarta a possibilidade de um comportamento imprevisível por parte de Trump ou de eventual constrangimento público ao presidente brasileiro. Fontes avaliam que não há indícios de preparação de um cenário hostil, como já ocorreu em encontros com outros líderes internacionais.

Para esse grupo, não existem fatores que justifiquem uma reação negativa dos Estados Unidos. Em relação ao tema das facções criminosas, a avaliação é de que a cooperação bilateral nessa área é histórica e consolidada, e que os dois países devem discutir formas de ampliá-la e aprofundá-la.

Além disso, interlocutores apostam na experiência e no jogo de cintura de Lula para conduzir a reunião e lidar com eventuais situações delicadas.

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No último ano, Trump elogiou Lula em algumas ocasiões
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Colaboração contra o crime organizado

Em dezembro, o governo brasileiro encaminhou ao Departamento de Estado uma proposta para reforçar a cooperação no combate ao crime organizado. A iniciativa inclui medidas de repressão à lavagem de dinheiro e ao tráfico internacional de armas.

Segundo interlocutores, o foco do Brasil será justamente essa proposta, já em análise pelo governo norte-americano. Lula e os ministros brasileiros devem destacar, durante a reunião, as ações já realizadas pelo país nessa área. A expectativa é que Brasil e Estados Unidos avancem em um acordo de cooperação contra o crime organizado transnacional, tema que deve estar no centro das discussões entre os dois líderes.


Visita de Lula aos EUA

  • O presidente Lula desembarcou em Washington na noite dessa quarta-feira (6/5).
  • Além da questão de segurança pública, outros assuntos devem entrar na pauta.
  • Entre os temas ventilados estão minerais críticos; investigação sobre o Pix; conflito no Oriente Médio; tarifas e candidatura de Michelle Bachelet à ONU.
  • Trata-se do segundo encontro formal entre os presidentes. Lula e Trump se reuniram em Kuala Lumpur, na Malásia, em outubro do ano passado.

Recentemente, o governo firmou uma parceria entre a Receita Federal e o U.S. Customs and Border Protection (CBP), agência de fronteiras dos Estados Unidos, para coordenar os esforços de inteligência e ações conjuntas contra o tráfico internacional de drogas e de armas. A expectativa é que a visita amplie as possibilidades de colaboração entre os países.

O presidente Lula também deve voltar a pedir ajuda do governo norte-americano para prender o empresário Ricardo Magro, dono da Refit, que é alvo da Justiça brasileira por suspeita de envolvimento em um esquema de sonegação bilionária no setor de combustíveis.

O petista já chamou o empresário, que mora em Miami, de “um dos grandes chefes do crime organizado brasileiro” e “maior devedor do país”. O vice-presidente Geraldo Alckmin disse “não ter dúvidas” que esse tema estará na mesa de conversa entre os líderes.

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