Interlocução do Brasil com EUA cabe só a Lula e ministros, diz Durigan
Lula, Durigan e outros integrantes do alto escalão do governo embarcam nesta quarta para Washington, onde terão encontro com Trump
atualizado
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O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou nesta quarta-feira (6/5) que a interlocução entre os governos do Brasil e dos Estados Unidos cabe exclusivamente ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e a seus ministros, e não a “nenhuma outra figura”. Lula, Durigan e outros integrantes do alto escalão do governo embarcam nesta quarta-feira para Washington (EUA), onde se reunirão com o líder norte-americano Donald Trump.
“Eu acho importante que a gente se coloque cada vez mais, como o presidente Lula tem feito, como interlocutor do governo dos EUA. O interlocutor do governo dos EUA não é nenhuma outra figura que não o presidente Lula e seus ministros”, afirmou Durigan em entrevista ao programa Bom Dia, Ministro, da Empresa Brasil de Comunicação (EBC).
A manifestação de Durigan se dá após o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL), que se coloca como interlocutor do Brasil junto ao governo Trump, usar as redes sociais para ironizar o encontro entre Lula e Trump.
Em publicação no X nta segunda-feira (4/5), o filho 03 do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) chamou Lula de “malandro” e questionou o discurso do petista sobre a soberania nacional.
Sem citar Eduardo nominalmente, Durigan falou que as expectativas do governo para a viagem são “as melhores possíveis” e o debate precisa ser “institucional, respeitoso e construtivo”.
“Eu estou muito otimista para essa conversa com o presidente Trump nessa linha, de que não se pode ter interferência no Brasil indevida, e nem nos EUA. O debate tem que ser institucional, respeitoso e construtivo. Vamos seguir nessa linha”, pontuou o chefe da equipe econômica.
Durigan também afirmou que o governo brasileiro está à disposição para prestar esclarecimentos sobre a investigação aberta em julho de 2025 pelo governo norte-americano sobre práticas comerciais brasileiras consideradas “desleais”, que poderiam prejudicar empresas de tecnologia dos EUA, incluindo o Pix, sistema de pagamentos brasileiro.
Nessa terça-feira (5/5), o vice-presidente Geraldo Alckmin classificou o tema como uma “preocupação” do governo e indicou que será prioridade nas conversas.
O processo ocorre no âmbito da Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos, instrumento usado para apurar possíveis violações comerciais e que pode resultar em novas sanções econômicas.
A apuração também abrange temas como a produção de etanol e o desmatamento ilegal no Brasil. Em 16 de abril, representantes dos dois países se reuniram nos EUA para discutir o assunto, com a apresentação de esclarecimentos técnicos e jurídicos às autoridades norte-americanas.
“A ideia é que aqui a gente proteja a nossa população, coloque o Brasil na frente, e faça um diálogo construtivo. Então as expectativas minhas e do governo são as melhores possíveis para essa viagem”, completou.
